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STJ restabelece condenações por massacre do Carandiru

10 de Junho de 2021 às 00:01
Da Redação com Estadão Conteúdo
74 policiais foram condenados na ação de 1992. O presídio foi demolido em 2002.
74 policiais foram condenados na ação de 1992. O presídio foi demolido em 2002. (Crédito: DIVULGAÇÃO)

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) restabeleceu as condenações impostas aos policiais envolvidos no massacre do Carandiru, em que 111 presos foram mortos após uma rebelião em 1992. Os agentes foram sentenciados a penas de até 600 anos de prisão. Ao todo, 74 policiais militares foram condenados em cinco diferentes júris, entre 2013 e 2014. Apesar das condenações, os agentes nunca chegaram a ser presos.

A decisão foi tomada na semana passada pelo ministro Joel Ilan Paciornik. Ele analisou um recurso do Ministério Público de São Paulo contra o parecer do Tribunal de Justiça do Estado que anulou os julgamentos dos policiais em júri popular, sob o argumento de que a denúncia contra os agentes não individualizou as condutas e, por isso, os jurados não poderiam ter votado pelas condenações.

“O voto não aponta prova cabal a respeito do acontecido, tendo sido elaborado no sentido do cotejo entre as provas, com uso de livre convencimento motivado, para valorar aquelas que amparavam a tese defensiva, em detrimento daquelas que escoravam a tese acusatória. Assim, tem-se que a decisão dos jurados não pode ser acoimada de manifestamente contrária à prova dos autos”, diz um trecho da decisão. “Ao contrário do que constou no acórdão recorrido, a condenação dos policiais pelos jurados decorreu da constatação do liame subjetivo (diga-se de passagem que foram 5 júris, todos ‘condenatórios’).”

O ministro observou que as provas que poderiam individualizar as condutas ficaram “prejudicadas” porque não houve confronto balístico entre as armas usadas pelos agentes e as balas retiradas dos corpos das vítimas. Destacou ainda que houve “excesso” na conduta por parte dos policiais. “Caracterizado pela morte desnecessária de presos (vítimas)”, afirmou. (Da Redação com Estadão Conteúdo)