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CPI da Covid

Na CPI, Queiroga nega terceira onda da pandemia no Brasil

Para ministro, País enfrenta um platô elevado de casos ainda da segunda onda

09 de Junho de 2021 às 00:01
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Ministro da Saúde falou ontem, novamente, à CPI da Covid.
Ministro da Saúde falou ontem, novamente, à CPI da Covid. (Crédito: MARCELO CAMARGO / AGÊNCIA BRASIL)

Em depoimento, ontem (8) à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia no Senado, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que o Brasil não vive uma terceira onda da pandemia. Ao ser questionado sobre a possibilidade de o País entrar em uma nova onda de contaminação, o ministro disse que o clima e a falta de isolamento social contribuem para a circulação do vírus e a alta de mortes em alguns Estados. “Ainda não está caracterizada uma terceira onda”, disse Queiroga. “Estamos na segunda onda em um platô elevado de casos‘, acrescentou.

Dados do Ministério da Saúde mostram que o país registra 16.984.218 casos acumulados de Covid-19 e 474.414 óbitos. Durante o depoimento na CPI, o ministro disse ainda que não há um médico infectologista em atividade no Ministério da Saúde. Ao ser questionado pelo relator, Renan Calheiros (MDB-AL), sobre o uso do chamado tratamento precoce, Queiroga disse considerá-lo ineficaz.

Renan Calheiros perguntou, então, por que o ministro não tirou do ar uma portaria do Ministério da Saúde, de agosto do ano passado, sobre o uso da cloroquina, hidroxicloroquina e azitromicina no tratamento de pacientes com sintomas leves de Covid-19. Ao colegiado, o ministro respondeu que não vai retirar a nota do ar porque ela perdeu o efeito legal e que é um documento para a “história”.

“Ela está no site, porque faz parte da história do enfrentamento à pandemia. Então, não vou retirar do site do Ministério da Saúde”, disse. “Não é um ato administrativo, por isso não cabe revogação”, acrescentou Queiroga.

O ministro também foi questionado sobre a demora em contratar a compra de mais 30 milhões de doses da vacina Coronavac, produzida pelo Instituto Butantan, para o último trimestre deste ano, além das doses já encomendadas. Queiroga disse que dispensou a compra do imunizante por já ter a previsão de muitas doses de outras vacinas, como as da Pfizer e da Astrazeneca, no último trimestre do ano. O ministro também disse que prefere a Butanvac, ainda em fase inicial de estudos em seres humanos, por ser uma vacina nacional. “É uma promessa na tecnologia brasileira, de desenvolvimento do complexo industrial da saúde. Por uma estratégia, o Ministério da Saúde pensa que investir na Butanvac seria a melhor opção, sem prejuízo de podermos adquirir essas 30 milhões de doses da Coronavac também”, disse.

Durante o depoimento, Queiroga foi questionado pelo senador Otto Alencar (PSD-BA), que também é médico, se havia lido as bulas das vacinas contra o coronavírus que tiveram uso autorizado em território nacional. O ministro disse não ter lido a documentação. O senador afirmou que a bula da vacina da Pfizer não recomenda a aplicação do imunizante em gestantes, autorizada pelo ministério. Após a pergunta, houve troca de acusações entre o ministro e o senador. Na sequência, o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), suspendeu a reunião por alguns minutos para acalmar os ânimos. O ministro também foi perguntado sobre o chamado “gabinete paralelo” e negou conhecer a estrutura. (Da Redação com Agência Brasil)