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Grávidas vacinadas devem esperar conclusão de estudo

Anvisa suspende Astrazeneca para gestantes e investiga morte ocorrida no RJ

12 de Maio de 2021 às 00:01
Da Redação com Estadão Conteúdo
Medida foi tomada por precaução após a morte de uma gestante.
Medida foi tomada por precaução após a morte de uma gestante. (Crédito: MICHAEL DANTAS / ARQUIVO AFP)

O Ministério da Saúde decidiu ontem (11), suspender o uso da vacina de Oxford/Astrazeneca em gestantes e puérperas após o registro da morte de uma grávida do Rio de Janeiro que havia sido vacinada. O evento adverso já havia feito a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) orientar, na noite de segunda-feira, 10, a interrupção da utilização do imunizante nesse grupo populacional. As grávidas que receberam a primeira dose do imunizante devem aguardar a conclusão dos estudos para buscar a segunda dose da vacina.

A decisão do ministério, disse a pasta, foi tomada por precaução até que seja concluída a investigação para determinar se o óbito tem ligação com a vacina, o que deve ocorrer nos próximos dias.

Sobre as gestantes que já tomaram a primeira dose da Astrazeneca, a orientação do ministério é esperar a conclusão da investigação do caso e novas recomendações federais antes de tomar a segunda dose. Essas mulheres também não devem tomar segunda dose de outro fabricante já que não há estudos sobre eficácia e segurança da mistura de imunizantes diferentes.

O órgão federal determinou também que a campanha de imunização com qualquer vacina contra a Covid-19 fique restrita a gestantes com comorbidades, que são as que têm o maior risco de agravamento da doença e para quem os benefícios da vacina superam eventuais riscos. No novo cenário, portanto, apenas gestantes com alguma doença crônica poderão ser vacinadas e somente com os imunizantes Coronavac ou da Pfizer.

De acordo com o ministério, os eventos adversos das vacinas contra o coronavírus são extremamente raros. Até agora, das 22.295 gestantes imunizadas contra a Covid no País (somadas as aplicações das vacinas da Astrazeneca, Pfizer e Coronavac), foram registrados 408 eventos adversos, dos quais somente 11 foram considerados graves. Oito deles já tiveram a relação com a vacina descartada.

O ministério informou que a gestante morta tinha 35 anos e morava no Rio. De acordo com a Anvisa, a paciente teve um acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico que resultou no óbito da mulher e do feto.

A coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Francieli Fantinato, disse que os eventos adversos são extremamente raros e o risco de uma gestante morrer de Covid é muito maior do que qualquer risco da vacina. Especialistas destacam que a decisão de receber uma vacina contra a covid deve ser discutida entre gestante e médico.

Excluídas dos estudos

Em nota, a Astrazeneca afirmou que gestantes não foram incluídas nos estudos clínicos da vacina por precaução, mas que os testes em animais não indicam “efeitos prejudiciais diretos ou indiretos no que diz respeito à gravidez ou ao desenvolvimento fetal”. Já a Fiocruz, responsável pela produção da vacina no Brasil, lamentou a morte e informou que está acompanhando a investigação. Reafirmou ainda que os benefícios do imunizante têm superado os riscos. (Da Redação com Estadão Conteúdo)