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Vacinas

Fiocruz descumpre promessas em série

11 de Maio de 2021 às 00:01
Da Redação com Estadão Conteúdo
Fundação produz 1 de cada 6,5 vacinas aplicadas.
Fundação produz 1 de cada 6,5 vacinas aplicadas. (Crédito: ARQUIVO JCS )

Em 31 de julho do ano passado, quando o governo anunciou um acordo para produzir no País a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e comercializada pela farmacêutica anglo-sueca Astrazeneca, era difícil imaginar que a Fundação Oswaldo Cruz, com 120 anos de existência, a quem caberia levar a cabo a missão, iria se tornar alvo de críticas generalizadas e até de piadas entre cientistas e profissionais de saúde, por causa de atrasos em série na entrega do imunizante e de previsões fantasiosas feitas por seus dirigentes.

Boa parte da comunidade médica e científica apostava que a Fiocruz, vinculada ao Ministério da Saúde, assumiria o protagonismo na luta contra o vírus. Mas isso não aconteceu.

De acordo com números do Ministério da Saúde, das 46,4 milhões de doses de vacinas contra Covid já aplicadas em todo o Brasil até 6 de maio, incluindo a primeira e a segunda doses, só 11 milhões, o equivalente a 24% do total -- ou uma em cada quatro -- foram do imunizante Oxford/Astrazeneca produzido pela Fiocruz. O restante foi de Coronavac. (A vacina da Pfizer/Biontech importada pelo governo, que começou a ser aplicada na semana passada, ainda não havia aparecido nas estatísticas oficiais.)

A rigor, a participação das vacinas produzidas pela Fiocruz no total de doses aplicadas até o momento é ainda menor, já que quatro milhões de doses prontas de Astrazeneca foram importadas da Índia e estão somadas à sua produção no balanço do ministério. Descontadas as doses indianas da conta, o saldo de vacinas produzidas pela instituição e já aplicadas na população cai para 7,1 milhões, o equivalente a 15,3% do total ou uma em cada 6,5 doses administradas até agora no País.

Logo depois da assinatura do contrato inicial, por exemplo, a Fiocruz chegou a falar na produção de 265 milhões de doses da vacina ao Programa Nacional de Imunização (PNI) em 2021. No fim do ano passado, porém, a previsão foi reduzida em 20%, para 210,4 milhões de doses - 100,4 milhões fabricadas com Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) importado da China e outras 110 milhões com IFA nacional, a ser produzido numa nova unidade industrial, que ainda está em construção.

Em janeiro, a Fiocruz anunciou a entrega de 50 milhões de doses da vacina Oxford/Astrazeneca até abril e manteve a previsão mesmo quando surgiram as primeiras dificuldades para cumpri-la. No mundo real, o número de doses entregues ao Programa Nacional de Imunização (PNI) no período ficou em 22,5 milhões, menos da metade. Em 5 de fevereiro, a Fiocruz prometeu entregar 15 milhões de doses em março, mas entregou só 2,8 milhões, o equivalente a 18,7% do prometido. (Da Redação com Estadão Conteúdo)