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Falta de autonomia motivou saída de Teich

Em depoimento à CPI da Covid, ex-ministro afirmou ter sofrido pressão para uso da cloroquina

06 de Maio de 2021 às 00:01
Da Redação com Estadão Conteúdo
Ex-ministro ficou no cargo por 29 dias e deixou o cargo durante o ano passado.
Ex-ministro ficou no cargo por 29 dias e deixou o cargo durante o ano passado. (Crédito: EDILSON RODRIGUES / AGÊNCIA SENADO)

O ex-ministro da Saúde Nelson Teich afirmou, ontem, em depoimento à CPI da Covid, que o governo Jair Bolsonaro não lhe deu a autonomia que julgava necessária para liderar a pasta no combate ao novo coronavírus. O médico, porém, evitou atribuir responsabilidade ao chefe do Executivo pelo agravamento da pandemia no Brasil. Teich disse ainda que a insistência de Bolsonaro no uso da cloroquina, sem ouvi-lo, foi determinante para que deixasse a função.

Teich substituiu Luiz Henrique Mandetta no comando da Saúde em abril do ano passado e permaneceu no cargo por 29 dias. “Eu percebi, ao longo daquele período -- e eu não precisava de um período longo para perceber isso --, que eu não teria a autonomia necessária para conduzir (o ministério), como eu acreditava que fosse a forma mais correta”, afirmou. “Essa falta de autonomia ficou mais evidente em relação às divergências com o governo quanto à eficácia e extensão do uso do medicamento cloroquina.”

Em 14 de maio do ano passado, Bolsonaro anunciou, durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, a publicação de um protocolo para uso da cloroquina. O remédio é usado contra malária, artrite reumatoide e lúpus, mas não há comprovação científica de que funcione contra o novo coronavírus.

Sem ser consultado e contrário à medida, Teich pediu demissão no dia seguinte. O ex-ministro disse considerar um erro receitar o medicamento, já que estudos disponíveis atestam que a cloroquina não funciona em casos de Covid. “É um medicamento que tem efeitos colaterais de risco. O problema era a gente não ter ainda dados concretos do benefício, mas, essencialmente, era a preocupação do uso indevido. Eu falei: ‘Não vale para a cloroquina, vale para qualquer medicamento’. Então, ali era muito mais uma discussão de condução do que do remédio especificamente”, afirmou o ex-ministro na CPI.

Questionado se via relação entre a postura de Bolsonaro e o agravamento da pandemia, Teich declarou que é “muito difícil” fazer esse cálculo. “Conseguir projetar a partir de palavras o quanto isso impactou em mortalidade é muito difícil. Não teria como responder.”

Teich foi a segunda testemunha convocada a depor na CPI, que apura ações e omissões do governo federal no enfrentamento da pandemia no País. Anteontem, seu antecessor, Luiz Henrique Mandetta, atribuiu a Bolsonaro responsabilidade pelo avanço da doença e disse que o presidente quis incluir na bula da cloroquina a indicação para o tratamento de Covid.

Teich manteve tom de voz baixo e monocórdio nas cinco horas e meia de depoimento. O comportamento do ex-ministro, que, em vários momentos, disse não se lembrar de determinado fato, não saber ou não poder opinar, incomodou. “Nada objetivo. ‘Não lembro, não me consta...’ Trazer uma pessoa para depor que houve intervenção, mas não sabe quem interveio, então fica difícil”, reclamou o presidente do colegiado, senador Omar Aziz (PSD-AM). (Da Redação, com Estadão Conteúdo)

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    Ex-ministro ficou no cargo por 29 dias e deixou o cargo durante o ano passado.
    Ex-ministro ficou no cargo por 29 dias e deixou o cargo durante o ano passado. (Crédito: EDILSON RODRIGUES / AGÊNCIA SENADO)

    O ex-ministro da Saúde Nelson Teich afirmou, ontem, em depoimento à CPI da Covid, que o governo Jair Bolsonaro não lhe deu a autonomia que julgava necessária para liderar a pasta no combate ao novo coronavírus. O médico, porém, evitou atribuir responsabilidade ao chefe do Executivo pelo agravamento da pandemia no Brasil. Teich disse ainda que a insistência de Bolsonaro no uso da cloroquina, sem ouvi-lo, foi determinante para que deixasse a função.

    Teich substituiu Luiz Henrique Mandetta no comando da Saúde em abril do ano passado e permaneceu no cargo por 29 dias. “Eu percebi, ao longo daquele período -- e eu não precisava de um período longo para perceber isso --, que eu não teria a autonomia necessária para conduzir (o ministério), como eu acreditava que fosse a forma mais correta”, afirmou. “Essa falta de autonomia ficou mais evidente em relação às divergências com o governo quanto à eficácia e extensão do uso do medicamento cloroquina.”

    Em 14 de maio do ano passado, Bolsonaro anunciou, durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, a publicação de um protocolo para uso da cloroquina. O remédio é usado contra malária, artrite reumatoide e lúpus, mas não há comprovação científica de que funcione contra o novo coronavírus.

    Sem ser consultado e contrário à medida, Teich pediu demissão no dia seguinte. O ex-ministro disse considerar um erro receitar o medicamento, já que estudos disponíveis atestam que a cloroquina não funciona em casos de Covid. “É um medicamento que tem efeitos colaterais de risco. O problema era a gente não ter ainda dados concretos do benefício, mas, essencialmente, era a preocupação do uso indevido. Eu falei: ‘Não vale para a cloroquina, vale para qualquer medicamento’. Então, ali era muito mais uma discussão de condução do que do remédio especificamente”, afirmou o ex-ministro na CPI.

    Questionado se via relação entre a postura de Bolsonaro e o agravamento da pandemia, Teich declarou que é “muito difícil” fazer esse cálculo. “Conseguir projetar a partir de palavras o quanto isso impactou em mortalidade é muito difícil. Não teria como responder.”

    Teich foi a segunda testemunha convocada a depor na CPI, que apura ações e omissões do governo federal no enfrentamento da pandemia no País. Anteontem, seu antecessor, Luiz Henrique Mandetta, atribuiu a Bolsonaro responsabilidade pelo avanço da doença e disse que o presidente quis incluir na bula da cloroquina a indicação para o tratamento de Covid.

    Teich manteve tom de voz baixo e monocórdio nas cinco horas e meia de depoimento. O comportamento do ex-ministro, que, em vários momentos, disse não se lembrar de determinado fato, não saber ou não poder opinar, incomodou. “Nada objetivo. ‘Não lembro, não me consta...’ Trazer uma pessoa para depor que houve intervenção, mas não sabe quem interveio, então fica difícil”, reclamou o presidente do colegiado, senador Omar Aziz (PSD-AM). (Da Redação, com Estadão Conteúdo)

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