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Pandemia

Atendimento médico em casa cresce até 40%

Aumento foi causado pelo receio de infecção pelo novo coronavírus em hospitais e consultórios

27 de Abril de 2021 às 00:01
Estadão Conteúdo
Alta foi registrada sobretudo por geriatras e pediatras
Alta foi registrada sobretudo por geriatras e pediatras (Crédito: PIXABAY.COM)

De consulta médica a uma internação mais complexa, pacientes têm optado pelo atendimento em casa no lugar de irem até consultórios ou ficarem em hospitais. Uma das principais preocupações é evitar o risco de contágio pelo novo coronavírus. Segundo especialistas e empresas da área, a procura por esse tipo de serviço teve alta de até 40% no último ano, em relação ao pré-pandemia. Idosos e crianças estão entre os mais atendidos nesse modelo. Surgem também pacientes com sequelas da Covid-19 buscando os atendimentos.

Além do medo de infecção, muitos idosos se sentem mais confortáveis com o atendimento em casa. “As pessoas ainda estão com medo de ir ao hospital ou consultório médico. Sempre fiz atendimento domiciliar para pacientes acamados. No entanto, com a pandemia, mesmo pessoas que tinham condições de vir ao consultório também começaram a ter receio e a fazer consultas em casa”, diz Celene Pinheiro, presidente da Associação Brasileira de Alzheimer -- Regional São Paulo.

Com atuação há quase 20 anos em consultório particular atendendo idosos entre 60 e mais de cem anos, a geriatra começou a ser procurada por pacientes, em casos de urgência, que tiveram dúvidas se deveriam mesmo ir a uma unidade de saúde, diz Celene, que vê demanda 40% maior. “Quem é atendido em casa se sente mais confortável, ainda mais quando é um médico já antigo, que o atende”, diz. “E os familiares se sentem seguros, ao mesmo tempo em que monitoram se estamos tomando todos os cuidados de higiene.”

Além de idosos, pais têm buscado pediatras em casa para os filhos. “Com a Covid, essa modalidade -- que já existe há muito tempo e que diminuiu ao longo dos anos com a facilidade de pacientes irem a consultórios -- voltou a ganhar espaço. Também outros recursos, como a telemedicina”, diz José Gabel, presidente do Departamento Científico de Cuidados Domiciliares da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

Segundo Gabel, há muitas clínicas privadas que oferecem esse tipo de atendimento e a alta na procura foi de até 35% no período. Ele afirma que são seguidos todos os protocolos sanitários. “Máscara N95, avental descartável em cima do avental de pano, luvas e equipamentos médicos como estetoscópio sempre higienizados e protegidos corretamente.”

Embora o custo com a consulta domiciliar fique até 50% maior que no consultório, a ideia é dar mais segurança e deixar as crianças mais tranquilas. “Elas são examinadas onde se sentem mais adaptadas, no ambiente residencial”, diz Gabel.

Assim como o médico particular, a empresa que realiza consultas domiciliares precisa estar regularmente inscrita no Conselho Regional de Medicina (CRM) da jurisdição onde atua. O home care também tem regulamentação específica pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). (Renata Okumura - Estadão Conteúdo)