Fernando Calmon

Animação geral

O ano começou bem para a indústria automobilística
Animação geral
O mês de janeiro registrou alta de mais de 10% na venda de automóveis. Crédito da foto: Divulgação

Fernando Calmon – fernando@calmon.jor.br

O ano começou bem para a indústria automobilística. Em janeiro venderam-se quase 200.000 unidades, entre veículos leves e pesados, resultado 10,2% superior ao mesmo mês de 2018. O ritmo diário, em torno de 9.100 emplacamentos, ficou abaixo do patamar instigante de cinco dígitos (10.000/dia). Tudo dentro do esperado pela Fenabrave (associação das concessionárias) para o primeiro mês do ano, quando o consumidor enfrenta despesas extras. Sua previsão de crescimento para 2019 é de 11,2%, quase igual à da Anfavea, de 11,4%, embora as metodologias de cálculo não sejam coincidentes.

Uma notícia ruim, do final de 2018. Quatro Estados nordestinos – Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Sergipe – decidiram aumentar as alíquotas do ICMS sobre veículos. Difícil de entender como esse erro se repete. Mais provável ocorrer um efeito contrário: arrecadação cair em vez de aumentar, pois a carga fiscal no Brasil é a mais elevada do mundo. O comprador se retrai ou simplesmente vai adquirir o carro no Estado vizinho.

Vendas diretas devem recuar um pouco este ano, em favor do varejo, pela facilidade de crédito, juros estáveis e aumento de confiança dos consumidores. Tendência é de pessoas físicas responderem por 70% da comercialização, estima a entidade.

Por outro lado, a Bright Consulting prevê que, pela primeira vez, modelos com câmbio automático representem a maioria das preferências, ou seja, pouco mais de 50%, em 2019. A Coluna lembra que uma das razões é a forte aceleração de vendas para PCD (pessoas com deficiência). O Governo Federal, no entanto, desconfia de fraudes ou abusos em certos enquadramentos.

Aliás, sobre processo de habilitação no Brasil de novos motoristas que, se cogita, poderão escolher usar câmbio manual ou automático, há uma curiosa nova lei na Suíça, a partir de 1º de fevereiro. Mesmo quem optar por se habilitar com câmbio automático poderá, se quiser, dirigir um carro com câmbio manual, o que não seria permitido aqui. Na Suíça, 45% dos modelos novos são automáticos (em 1990, eram 19%) e em alta. Até na França, mudou: em 1995 eram 3% em 1995; agora, 29%.

Em relação ao mercado de automóveis de passageiros usados, a Fenabrave informou: a cada milhão de modelos novos vendidos, 4,7 milhões de usados mudaram de mão no mês passado. Um levantamento da Creditas, plataforma de crédito com garantia online, apontou uma tendência em trocar dívidas caras por mais baratas: mais da metade dos tomadores de crédito com garantia em 2018 utilizaram o dinheiro para esse fim.

Os juros para financiamento de veículos usados (começam em torno de 22% ao ano) são mais baratos e têm prazos melhores que o crédito pessoal. “Isso mostra a educação financeira do brasileiro evoluindo e as pessoas começam a avaliar a qualidade do dinheiro”, destaca o CEO e fundador da empresa, Sergio Furio.

Consumidores entre 25 e 35 anos representam 35% dos tomadores de crédito com garantia do veículo. Valores médios vão de R$ 5 mil a R$ 10 mil. Os cinco modelos mais refinanciáveis são Gol, Fiesta, Palio, Fox e Celta.

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