Fernando Calmon

À prova de erros

Tempo médio de deslocamento na capital paulista caiu em torno de 10 minutos entre 2015 e 2018
À prova de erros
Crédito da foto: Arquivo JCS

Fernando Calmon – fernando@calmon.jor.br

Um estudo acaba de ser publicado pela organização não governamental (ONG) Nossa São Paulo sobre o tempo médio de deslocamento na capital paulista: caiu em torno de 10 minutos entre 2015 e 2018. Não representa muito, mas se trata de algum avanço. O dado reflete uma modificação nos hábitos trazida pelos aplicativos de mobilidade como Uber, 99 e Cabify. Esses serviços já se estendem a mais de 100 cidades brasileiras.

Os meios de transporte usados pelos paulistanos mudaram em três anos. Ônibus caíram de 47% para 43%, metrô de 8% para 7%. Carros particulares subiram de 22% para 24%; aplicativos e táxis de 2% para 5%. Bicicletas de 1% para 2%. Esse fenômeno tem sido detectado em outras grandes cidades no mundo e começa a preocupar os administradores públicos. Uso menor do transporte coletivo tende a torná-lo mais caro e desestimula investimentos na sua melhoria.

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Não à toa a prefeitura da cidade de Nova York entrou em conflito com Uber e seu concorrente principal Lyft para limitar o número de automóveis. Quer poder avaliar melhor o impacto no trânsito e nos custos de transporte público. Essa discussão ainda continua por lá.

No Brasil, Uber está introduzindo uma versão mais simples (desenvolvida na Índia) de seu aplicativo, para celulares de poucos recursos, a fim de alavancar a modalidade Pool onde mais de uma pessoa é transportada por veículo. Por outro lado, São Paulo foi a primeira cidade do mundo a lançar o serviço do Waze de carona paga, desde agosto passado. Ideia é oferecer e pedir carona a um preço entre R$ 4 e R$ 25. A empresa destaca se tratar de algo diferente, focado em serviço solidário: motorista só pode oferecer duas caronas por dia. Como se trata de experiência nova, não objetiva retorno financeiro no momento. A checar, no futuro.

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No levantamento da ONG citada não há referência sobre os aplicativos de rotas alternativas como fator de melhor uso da malha viária e, por consequência, tempos menores de deslocamentos. De fato, é difícil avaliar esse impacto. No entanto, São Paulo é a cidade com o maior número de usuários do Waze no mundo e o Brasil, como um todo, só perde para os EUA, na mesma comparação.
Mas o aplicativo também falha. Há pouco mais de um ano houve um grande engarrafamento em São Paulo porque os usuários foram canalizados, erroneamente, para algumas avenidas. Mais recentemente houve queixas de voltas desnecessárias e roteiros que levavam ao destino informado, porém do lado oposto da rua ou avenida, causando transtorno e tempo maior de viagem. Outro aplicativo, o Google Maps (Google é dona do Waze, embora sem interação), às vezes indica rotas mais longas em dias e horários sabidamente sem problemas de trânsito.

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A exemplo de grandes empresas de TI, Google é refratária a dar muitas explicações e Waze, pior ainda. Basta algo de errado acontecer. A Coluna tentou, por dois meses, saber se houve disfunções temporárias, relatadas por uso próprio e leitores, nos famosos algoritmos de roteamento. Google Maps negou qualquer problema e se prontificou a checar o percurso errado. Waze nem ao menos respondeu: deve se considerar à prova de erros.

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