Covid-19 Exterior

População da Espanha se adapta ao isolamento pelo coronavírus

Quase o total de moradores da Espanha estão em confinamento para frear a propagação do novo coronavírus
População da Espanha se adapta ao isolamento pelo coronavírus
Homem fecha sua loja em Santiago de Compostela, no norte da Espanha. Crédito da foto: Miguel Riopa / AFP (14/3/2020)

Com shows e partidas de bingo acontecendo nas janelas de casa, jantares e yoga em casa, os espanhóis, muito acostumados a passar mais tempo fora de casa, buscavam desde este domingo (15) adaptar-se a viver em quase total confinamento para frear a propagação do novo coronavírus.

Com um aumento de mais de 7.700 casos e 288 mortos, o governo espanhol decretou no sábado (14) estado de alerta e impôs sérias restrições aos seus habitantes: os cidadãos só poderão sair de casa para comprar comida ou remédios, ir a hospitais, ir para o trabalho ou para cuidar de idosos, crianças ou pessoas dependentes.

É um cenário inédito, que durará no mínimo 14 dias e que implica no fechamento de quase todo o comércio – com exceção dos supermercados e farmácias – nesse país que possui 46 milhões de habitantes.

Segundo vários jornalistas da AFP, neste domingo a movimentação nas ruas diminuiu, embora em Madri e Barcelona ainda tenham pessoas passeando com cachorros, presentes em filas para compras em supermercados ou se exercitando ao ar livre, essa última atividade não permitida.

‘Fechado por duas semanas’

“Eu amo sair para passear e andar, algo que meu médico disse ser muito bom para minha idade. Não dá para ficarmos duas semanas confinados, mas é o que temos que fazer”, disse em Barcelona à AFP Antonio Martín, a caminho para comprar o jornal do dia, sua única saída.

Os agentes da polícia, que estão todos sob ordens do ministério de Interiores, alertavam aos que caminhavam pelas ruas de alguns bairros da capital que não era permitido passear. Em Madri, drones da Polícia Municipal com alto-falantes diziam para a população “permanecer dentro de casa”.

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Homem atravessa a avenida La Castellana, praticamente vazia, no centro de Madri. Crédito da foto: Oscar Del Pozo / AFP (15/3/2020)

“A parte psicológica é a mais complicada de lidar”, admite Miriam Burgués, jornalista de 41 anos confinada em um apartamento de um bairro em Madri, junto ao seu marido e suas duas filhas, de dez e cinco anos. “Até agora, (as meninas) estão tranquilas, mas quando mais dias passarem vamos ver como elas reagem, se nós ficamos aflitos, imaginem elas”, conta.

Sem aulas

Desde a última quarta elas estão sem aulas, mas, em uma situação que também acontece no restante do país, recebem todos os dias do colégio por WhatsApp as tarefas de casa. Além disso, fazem exercícios físicos, o professor envia uma série de flexibilidade e coreografias para “manter-se em forma”, relata a jornalista.

María Mosquera, de 40 anos, administradora que gerencia compras para clínicas oftalmológicas, tenta manter a normalidade em casa, onde vive com seu marido e sua filha: “Na noite do último sábado fizemos um jantar romântico em casa, e comemos como se estivéssemos em um restaurante”.

Sua filha, de sete anos, chorou um pouco porque queria sair para brincar com os amigos. “Mas quando explicamos a eles (as crianças), entendem a situação. É uma oportunidade de aproveitar para fazer as coisas juntos, como trabalhos manuais”, diz María.

Solidariedade ampliada

Para enfrentar o confinamento, a criatividade aflora, com a hashtag #YoMeQuedoEnCasa (em português, #EuFicoEmCasa): assim como na Itália, cada vez mais há na internet pedidos para músicos fazerem pequenos shows em suas varandas ou janelas, e esportistas compartilham exercícios para se fazer em casa.

Em Sevilha, um grupo de vizinhos jogou bingo das suas varandas, segundo mostrou um vídeo muito compartilhado nas redes sociais. Museus como o Prado oferecem visitas online e plataformas de filmes e séries online oferecem seus conteúdos grátis.

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A solidariedade é ampliada. “Me ofereço voluntariamente para ir fazer compras no supermercado ou comprar remédios na farmácia” para idosos ou pessoas incapacitadas, dizia uma das diversas mensagens no Facebook com a hashtag #YoTeHagoLaCompra (em português, “EuComproParaVocê). (AFP)

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