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Exterior

Passageiros se solidarizam com manifestantes no aeroporto de Hong Kong

Aeroporto decidiu anular todos os voos devido a uma manifestação
Movimento  surgiu no começo de junho em rejeição a um projeto de lei que autorizaria extradições para Pequim. Crédito da foto: Anthony Wallace/AFP

Não poder embarcar é sempre frustrante, mas no aeroporto de Hong Kong muitos viajantes presos pelo cancelamento de seus voos por um protesto expressam, nesta terça-feira (13), sua solidariedade com manifestantes, que ganharam a simpatia da opinião pública.

“É decepcionante porque esperávamos ter voado hoje. Mas não dá para fazer nada. Eles têm direito de se manifestar. É seu território, nós estamos apenas de passagem”, disse Nathan, filipino de 31 anos, que passou quatro dias na ex-colônia britânica.

Oitavo aeroporto internacional mais frequentado do mundo, com 74 milhões de passageiros em 2018, o terminal aéreo de Hong Kong tomou uma decisão sem precedentes nesta segunda-feira (12) de anular todos os voos por uma manifestação de cerca de 5 mil pessoas e porque alguns deles invadiram as salas de embarque.

Os voos foram retomados progressivamente na manhã desta terça, mas à tarde o aeroporto de Hong Kong suspendeu de novo todas as decolagens. A ex-colonia britânica atravessa sua crise política mais grave desde sua reanexação à China, em 1997.

O movimento – que surgiu no começo de junho em rejeição a um projeto de lei que autorizaria extradições para Pequim – ampliou suas reivindicações para denunciar a redução de liberdades e as ingerências da China nos assuntos internos.

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Governo ‘nulo’

Os manifestantes começaram uma sessão de protesto pacífico na sexta-feira nos corredores do aeroporto, para sensibilizar os viajantes sobre seu movimento.

Assim que a alfândega passou, os visitantes eram surpreendidos por uma multidão de manifestantes vestidos de preto, que sorriram, cantaram, entregaram panfletos e os tornaram uma espécie de guarda de honra.

Esta ação não afetou o tráfego aéreo até segunda-feira à tarde, quando voos foram cancelados. A maioria dos viajantes afetados foi, no entanto, simpática. “Isso me impactou, mas sei por que eles fazem isso, e eu os apoio”, disse Mag Mak, um publicitário de 27 anos cujo voo saiu de Dubai com atraso de cinco horas.

“Acho que o governo é nulo e não tem resposta para dar aos manifestantes”, acrescentou.

‘Mais adoráveis do mundo’

“Esses manifestantes são as pessoas mais adoráveis do mundo”, disse sorrindo Pete Knox, de 65 anos, que faz uma volta ao mundo de 10 meses com sua bicicleta. Ele deve viajar para a cidade de Ho Chi Minh, mas não tem certeza de que seu avião decolará. “Eu entendo o pano de fundo de sua mobilização, que se refere à liberdade e à democracia, duas coisas muito importantes”, opinou.

Tibor, um agente imobiliário que mora em Hong Kong há muito tempo e que cancelou seu voo no dia anterior, diz que entende perfeitamente esse movimento “porque é chato viver em uma sociedade cujo governo não dialoga com seu povo”.

Nas últimas manifestações, houve muitos confrontos entre radiciais e a política, mas a mobilização se caracterizou pelas enormes e pacíficas marchas. Também ocorreram algumas marcas em resposta, de apoio à polícia e ao governo, e raramente foram registrados confrontos entre manifestantes e residentes que apoiam Pequim.

Alguns passageiros expressaram à AFP seu descontentamento com os atrasos. “Não tenho nada contra os manifestantes, mas tenho um atraso de cinco horas”, queixa-se Wing Au-yeung, de 50 anos, que fez escala em Hong Kong para encontrar sua mãe antes de partir para a Coreia do Sul em família. “Eles fazem o que querem, mas não deveriam incomodar as pessoas”, acrescentou. (Por India Bourke – AFP)

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