Covid-19 Exterior

Países da UE devem ficar atentos a ofertas de vacinas falsas

Alerta é do Organismo Europeu de Luta Antifraude
Parlamento se opõe a acordo UE-Mercosul
União Europeia alerta para compra de vacinas fraudulentas. Crédito da foto: AFP

O Organismo Europeu de Luta Antifraude (Olaf, da sigla em inglês) alertou hoje os governos da União Europeia (UE) para que “se mantenham atentos às ofertas de vacinas contra a covid-19”, por serem “muito frequentemente falsas”.

Em um comunicado, a diretora-geral do Olaf, Ville Itälä, frisa que tem “ouvido muitos relatórios de impostores que oferecem vacinas a governos em toda a UE”, fazendo-se “falsamente” passar por representantes de “empresas legítimas” e “alegando ter em sua posse, ou ter acesso, a vacinas”.

Sublinhando que este tipo de ofertas “pode adquirir várias formas” – da “entrega de exemplares de oferta para garantir o primeiro pagamento, e depois desaparecer com o dinheiro” à “entrega de lotes de vacinas falsas” – Ville Itälä, alertou que todas elas têm um elemento em comum: são falsas.

“São embustes organizados para defraudar as autoridades nacionais que procuram aumentar o ritmo da vacinação para manter os seus cidadãos seguros. Devem ser freadas o mais rapidamente possível”, salienta a diretora-geral do Olaf.

Combate ao comércio ilícito de vacinas

Nesse âmbito, Itälä informa que o organismo europeu adicionou um nível suplementar à sua investigação atual sobre produtos falsos de proteção contra a covid-19, com o objetivo de “combater o comércio ilícito de vacinas para a covid-19.

Leia mais  Fiocruz confirma caso da variante brasileira do coronavírus no Rio

Segundo a responsável, este comércio ilícito pode estar “possivelmente ocorrendo através da importação ilegal [de vacinas] para a UE” ou através da “comercialização de medicamentos fraudulentos”.

“Vamos compartilhar ativamente a informação que recebemos sobre estas tentativas de fraudes com os nossos parceiros na UE, nos Estados-membros e no mundo. Vamos trabalhar com eles para contrariar estes embustes e ajudar as autoridades a determinar a verdadeira identidade dos indivíduos e das empresas por detrás destas tentativas, que põem em risco a vida humana e as finanças públicas em um tempo de grande dificuldade”, lê-se no comunicado.

O alerta do Organismo Europeu de Luta Antifraude surge após, na sexta-feira passada, o portal de notícias Euractiv ter publicado uma notícia que citava declarações do primeiro-ministro tcheco, Andrej Babis, segundo as quais a farmacêutica AstraZeneca teria proposto uma compra paralela de vacinas ao seu Governo.

Intermediário em Dubai

No artigo, Babis informa que, “enquanto a AstraZeneca se recusou a entregar 80 milhões de doses à UE”, a República Tcheca e outros três Estados-membros da UE “receberam ofertas recorrentes desta vacina” através de um “intermediário em Dubai”.

Leia mais  Sorocaba registra mais 62 pacientes recuperados da Covid-19

“Acreditem em mim, teríamos definitivamente aproveitado esta oportunidade se tivesse sido realista. Mas não temos esse dinheiro. E, claro, temos acordos europeus e temos de respeitá-los”, disse Babis segundo o Euractiv.

Em resposta, a farmacêutica AstraZeneca rejeitou as declarações do primeiro-ministro tcheco, sublinhando que “se alguém oferece vacinas privadas, é provavelmente fraude, devem ser rejeitas e reportadas às autoridades nacionais”. Nesse mesmo dia, diante destes relatos, a Comissão Europeia alertou para o risco de compras de “vacinas fraudulentas” pelos Estados-membros.

“Todos devem ser extremamente cautelosos quando falamos de vacinas, porque se trata de injetar uma substância ativa dentro do corpo humano. Por isso, é preciso ter 100% de certeza de que os canais que se usam para comprar vacinas são completamente transparentes e legítimos”, sublinhou o porta-voz da Comissão Europeia, Eric Mamer. (RTP/Agência Brasil)

Comentários