Exterior

Nova máquina ajuda no combate à ‘ilha de lixo’ no Caribe hondurenho

Mais de cem pessoas participaram da missão para recolher, com o auxílio do equipamento, os dejetos
Embarcação com uma máquina adaptada foi usada para coletar dejetos no mar. Crédito da foto: Orlando Sierra/ AFP

Uma missão formada por mais de uma centena de pessoas pôs à prova uma embarcação com uma máquina adaptada para coletar dejetos plásticos no mar do Caribe, onde toneladas de resíduos formam uma verdadeira “ilha de lixo”. Daniel Birnbaum, diretor-executivo da empresa israelense SodaStream, adquiriu o artefato depois de assistir a um vídeo que circulou em meios de comunicação e redes sociais com imagens impactantes dos detritos flutuando no mar.

Era uma autêntica “ilha de lixo” com mais de 5 km2 boiando perto das paradisíacas Ilhas da Baía, no norte de Honduras, que abrigam o segundo maior arrecife coralino do mundo, depois do australiano. Roatán, que faz parte do arquipélago, é a principal atração turística de Honduras, que recebe anualmente um milhão de visitantes. Os turistas se encantam com suas praias de areia branca e águas cristalinas, onde se pode mergulhar com tubarões, nadar com golfinhos, observar baleias, surfar ou visitar grutas e cavernas.

A “tartaruga santa”

A SodaStream, cuja compra pela gigante americana Pepsico foi anunciada em agosto, investiu um milhão de dólares em uma embarcação com um mecanismo criado especialmente para limpar o óleo derramado nos oceanos. O barco foi adaptado para a primeira experiência de limpeza de resíduos plásticos no Caribe hondurenho. A unidade foi denominada de “Holy Turtle” (tartaruga santa).

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Birnbaum encabeçou na semana passada um grupo de 125 executivos e funcionários da empresa, provenientes de diferentes partes do mundo a Roatán para pôr a máquina em funcionamento. A embarcação passou nos primeiros testes. Os técnicos da missão lançaram uma espécie de mangueira alaranjada de 300 metros de comprimento, que arrasta os dejetos que flutuam na superfície do mar.

No momento do experimento não tinha se formado a “ilha de lixo”, como em outras ocasiões. Os rejeitos estavam presos em praias e raízes de manguezais. A equipe foi até esses locais para coletar o lixo em sacos plásticos e levá-lo ao depósito municipal.

Cento e cinquenta estudantes de Roatán se somaram aos trabalhos para criar consciência nas crianças sobre os danos do uso de utensílios descartáveis de plástico, que acabam se acumulando nos oceanos do mundo. “Tenta-se educar as crianças (para) que sejam embaixadoras desta missão que acabamos de começar”, disse Birnbaum à AFP.

Maurice Herrera, gerente de marketing da SodaStream, estimou que foram limpos 7 km2 de praias e raízes de manguezais robustos, berçário de espécies marinhas que estão em declínio por causa da contaminação. Entre os dejetos tirados pela máquina estão pedaços de mesas e aparelhos de TV, garrafas, sapatos, colheres, entre outros itens descartados.

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A maioria dos resíduos chega ao Caribe carregados pelos afluentes do rio Motagua, procedentes da Guatemala, e em menor escala por cursos d’água que vêm do interior do território Hondurenho, segundo Herrera. O gerente da SodaStream lamentou que aves e espécies marinhas morram pela ingestão de plásticos. Foram encontrados rejeitos nos estômagos destes animais, o que por sua vez pode afetar a saúde dos humanos que os consomem.

Continente de lixo

Além da expressão “ilha de lixo”, os rejeitos que flutuam no mar também são conhecidos como “ilha tóxica”, “sétimo continente” ou “continente de lixo”, que há décadas são detectados no Pacífico. Especialistas estimam que estas ilhas possam totalizar até 15 milhões de km2, provocando um grande dano não só aos oceanos, mas ao planeta e à humanidade em seu conjunto.

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Birnbaum considera que a experiência feita em Honduras possa ajudar a coletar os rejeitos do “continente de lixo” do Pacífico, com o engajamento de autoridades e organizações não governamentais. O executivo pediu que se evite o uso de utensílios de plástico que só são usados uma vez e recomendou que se dê preferência ao papelão. Assegurou, ainda, que não há mais empresas de refrigerantes decididas a aderir ao vidro ou ao papelão para conter o desastre ecológico causado pelos utensílios descartáveis de plástico nos mares. (Orlando Sierra – AFP)

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