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Mais de mil detidos nos recentes protestos contra o governo no Egito

25 de Setembro de 2019 às 17:22

Mais de mil detidos nos recentes protestos contra o governo no Egito Mais de mil pessoas foram presas após se manifestarem contra o governo de Abdel Fattah al Sisi. Crédito da foto: AFP (24/9/2019)

A ONG Centro Egípcio de Liberdades e Direitos informou que 1.003 pessoas foram presas desde a sexta-feira no Cairo e em outras cidades do país. O Centro de Direitos Econômicos e Sociais registrou 1.298 detenções. Dissidentes de alto nível foram presos, inclusive Jaled Dawud, ex-líder do partido liberal Al Dostur, que compareceu perante os procuradores nesta quarta-feira (25), confirmaram seus advogados.

Dawud, um conhecido político e jornalista, é um dos principais membros de uma ampla coalizão de partidos de oposição de esquerda e liberais, que convocou um "diálogo nacional" com as autoridades na terça-feira. A aliança, conhecida como Movimento Civil Democrata, pediu às autoridades a libertação de todos os detidos desde o início dos protestos.

Acadêmicos detidos

Entre os presos estão dois acadêmicos conhecidos por sua posição muito crítica ao governo. Hazem Hosni, professor de Ciência Política da Universidade do Cairo, foi preso na noite de terça-feira em frente de casa, informou seu advogado, Tarek al Awadi. Hosni fazia parte da equipe de campanha de Sami Anan, candidato presidencial em março de 2018 contra Sisi. Anan, general reformado e chefe de gabinete, foi detido e encarcerado pouco depois de anunciar sua candidatura.

O professor tinha expressado críticas a Sisi nas redes sociais recentemente.  Hasan Nafaa, outro professor da Universidade do Cairo, também foi preso na noite de terça-feira em  casa. Nos últimos dias, ele criticou o governo ao falar com a imprensa.

Em seu último texto no Twitter na terça-feira, ele escreveu: "Não tenho dúvidas de que o poder absoluto de Sisi levará a uma crise. Pelo bem do Egito, deveria abandonar o poder hoje".

A crescente lista de prisões também inclui três jornalistas detidos por sua cobertura dos protestos e a premiada advogada Mahienur El Massry, especialista em direitos humanos.  Até esta quarta-feira, as autoridades não haviam comentado essas prisões.

"Um grande líder"

As manifestações exigindo a saída do presidente foram dispersas em algumas cidades com gás lacrimogêneo e balas de borracha. Os protestos foram organizados por Aly, que na Espanha denunciou, em vídeo, a corrupção do regime militar de Sisi.

Na semana passada, Sisi negou essas acusações e disse que é "honesto e leal" ao seu povo e ao exército.  Sob o regime do general Sisi, as autoridades lançaram uma ampla política de repressão aos dissidentes, com a prisão de milhares de islâmicos, mas também de ativistas laicos e blogueiros conhecidos.

Em 2013, Abdel Fattah al Sisi, na época do chefe do exército, destituiu o presidente Mohamed Mursi, membro da Irmandade Muçulmana, após manifestações em massa.  Mursi morreu em junho na prisão.

Sisi foi eleito presidente em 2014 e desde então conduz uma forte repressão a seus oponentes, especialmente à Irmandade Muçulmana, declarada "organização terrorista" em 2013.

No fim de semana passado, houve manifestações antigovernamentais inéditas no Cairo e em outras cidades egípcias. Vários meios de comunicação próximos a Sisi alegaram que a Irmandade Muçulmana está por trás desses protestos.

Na segunda-feira passada, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, saudou Sisi como "um grande líder" que restaurou a "ordem" no Egito, durante uma reunião da ONU em Nova York antes do início da Assembleia Geral desta semana. (Farid - AFP)

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