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Impeachment de Trump divide republicanos

Impeachment de Trump divide republicanos
Julgamento começa na terça-feira em tom de ajuste de contas. Crédito da foto: Andrew Cabellero-Reynolds / AFP

O julgamento do segundo impeachment de Donald Trump, que começa na terça-feira (9), deve trazer menos desafios para o ex-presidente do que para o futuro dos republicanos. Trump caminha para a absolvição graças aos senadores do partido. Já a legenda tenta sobreviver em uma capital dominada pelos democratas, diante do crescimento do extremismo de sua base, divisões internas e sob a influência política de Trump.

“Há uma percepção entre os republicanos de que a ala trumpista controla a base do partido. Fora dos microfones, os republicanos que estão em Washington estão aliviados que Trump tenha ido embora, mas sabem que, no nível estadual e com a base, o trumpismo continua sendo muito influente”, afirma Oliver Stuenkel, coordenador da pós-graduação em relações internacionais da FGV-SP.

Os democratas já sabem que não terão 17 votos de republicanos no Senado contra o presidente, o necessário para condená-lo e torná-lo inelegível na próxima eleição. A previsível absolvição de Trump é sinal de que a base eleitoral do partido está mais próxima das visões do ex-presidente do que do conservadorismo moderado, afirma Stuenkel. “Aquele sonho do Lincoln Project de que a ala moderada voltaria a controlar o partido parece distante hoje.” O Lincoln Project é um dos grupos de republicanos dissidentes que romperam com Trump.

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Para os congressistas, no entanto, há um cálculo imediato: a eleição de meio de mandato, que renova parte do Congresso, acontece em menos de dois anos. Um voto contra Trump pode representar uma derrota política junto à base de eleitores no futuro próximo. “O partido está se tornando algo mais próximo de um culto pessoal do que de uma organização com base em um conjunto de princípios comuns”, diz Michael Traugott, cientista político e professor da Universidade de Michigan. “A absolvição de Trump aumentará a influência dele no partido.” (Estadão Conteúdo)

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