Exterior

Há 50 anos, tinha início a missão que colocaria o homem enfim na Lua

Neil Armstrong, Edwin ‘Buzz‘ Aldrin e Michael Collins participaram da missão que mudaria a história da humanidade
Michael Collins participou da missão que levou o homem pela primeira vez à Lua. Crédito da foto: Gregg Newton / AFP (16/7/2019)

Há 50 anos, tinha início a aventura que faria um homem pisar na Lua pela primeira vez na história. Em 16 de julho de 1969, os astronautas Neil Armstrong, Edwin ‘Buzz‘ Aldrin e Michael Collins decolavam a bordo do foguete Saturno V do então chamado Cabo Espacial Kennedy, na Flórida, na missão que mudaria a história da humanidade. Quatro dias depois ocorreria o ‘pequeno passo‘ histórico, após o módulo Águia tocar, enfim, o solo poeirento lunar.

Estima-se que cerca de 1 milhão de pessoas, sob um calor de mais de 30°C, acompanharam naquele dia o lançamento in loco, em um clima de festa e apreensão. Até o pouso se passariam 195 horas, 18 minutos e 35 segundos.

Aquele início de missão correu tudo muito bem. Em 168 minutos, o foguete atingiu a altitude de 67,6 km e foi solto o primeiro estágio de volta para a Terra. Quando haviam se passado pouco mais de 11 minutos, o segundo estágio foi descartado e o resto do foguete deu uma volta e meia em torno da Terra. Duas horas e 44 minutos depois do lançamento, o último estágio do Saturno foi novamente acionado para enviar a nave Apollo 11 em direção à Lua com os três astronautas a bordo.

Na terça-feira (16), Collins, hoje com 88 anos, esteve presente na mesma plataforma 39A exatamente às 9h32 (10h32, em Brasília) para recordar aquele exato momento. Aldrin também estava previsto para aparecer à comemoração, mas não foi sem explicação. Ele teve problemas de saúde recentemente e tem se esquivado da imprensa. Armstrong, que deu o primeiro passo na Lua no dia 20 de julho daquele ano morreu em 2012.

Imagem do pé direito de Neil Armstrong pisando em solo lunar em 20 de julho de 1969. Crédito da foto: Nasa / AFP

Collins não chegou a pisar na Lua. Ele ficou sobrevoando ao redor do satélite, a bordo do módulo de comando Columbia, enquanto os outros dois caminhavam na superfície e faziam coletas de amostras e experimentos. “Eles sabiam, eu sabia, que se por alguma razão eles não conseguissem decolar, eu não poderia fazer nada a respeito, a Columbia não tinha nenhum trem de pouso, eu não poderia descer e resgatá-los”, disse ele a repórteres em Nova York em maio.

“Cinquenta anos se passaram da chegada do homem a Lua, mas as lembranças e as imagens continuam nítidas na memória. Ninguém esquece uma coisa dessas. Era o ano de 1969 e eu tinha acabado de completar 25 anos. Anunciaram no dia 16 de julho o tão esperado lançamento da missão Apolo 11, três astronautas dentro de uma minúscula cápsula espacial em direção à Lua. Começou o sofrimento”, lembra João dos Anjos, diretor do Observatório Nacional.

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“A cada hora era uma notícia, a entrada em órbita da Terra, o início do voo em direção à Lua, a entrada em órbita da Lua, a preparação para a descida do módulo lunar. Parecia um filme de terror e suspense que já durava quase quatro dias, todo mundo fixado no rádio e na televisão, torcendo para nada dar errado. Aí chegou o grande momento. O homem ia finalmente conquistar a Lua, colocar os pés naquele solo árido e desértico”, continua o pesquisador.

“Era o planeta olhando para a Lua, esperando aquele pequeno passo, porém com um significado tão grande. Não dá para esquecer aquela imagem, a marca da bota no solo lunar. Cinquenta anos se passaram, mas ainda hoje vejo, nítida, aquela imagem indelével, gravada para sempre na memória. Conquistamos a Lua! A Lua é nossa!”

Próximos passos

O evento de terça-feira (16) marcou o início das celebrações que vão culminar no aniversário do pouso, sábado (20). São o início também de uma nova contagem regressiva. A Nasa tem planos de voltar a colocar uma pessoa na Lua daqui quatro anos – a primeira mulher e um outro homem. Nenhum ser humano pisa na Lua desde 1972, quando ocorreu a última missão Apollo, há 17 anos.

Depois daquele feito, somente ocorreram missões não tripuladas, que aumentaram a compreensão sobre o satélite e permitiram imagens em detalhes sobre o chamado ‘lado oculto‘ da Lua, que não foi visitado pelos astronautas. A ideia agora é pousar justamente daquele lado, ter uma estação espacial orbitando permanentemente a Lua e, de lá, ir além. (Giovana Girardi e Roberta Jansen – Estadão Conteúdo)

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