Exterior

Grandes potências fazem oferta ao Irã para salvar acordo nuclear

Sophie Makris – AFP

Rússia, China e os países europeus se reuniram nesta sexta-feira (6) em Viena com autoridades iranianas para fazer propostas concretas que permitam salvar o acordo nuclear firmado em 2015 com a República islâmica, do qual os Estados Unidos se retiraram.

Nas palavras do chanceler iraniano, Mohammad Javad Zarif, os países que mantêm seu compromisso com o acordo nuclear mostraram hoje sua “vontade política de resistir” aos Estados Unidos.

“O que constatei durante esta reunião é que todos os membros, incluindo os três aliados [de Washington: Berlim, Paris e Londres], se comprometeram e têm a vontade política de resistir aos Estados Unidos”, declarou Zarif ao fim da reunião, segundo a agência de notícias iraniana Fars.

“Fizemos uma oferta que consideramos atraente” para que o Irã continue negociando com empresas europeias, apesar do anúncio de retomada das sanções americanas, declarou à imprensa o ministro alemão das Relações Exteriores, Heiko Mass, antes do início da reunião na capital austríaca. Ele não deu detalhes sobre a oferta.

Leia mais  Biden: mais financiamento a pequenas empresas

O presidente iraniano, Hassan Rouhani, reduziu as expectativas, porém, e considerou que as medidas propostas pelos europeus para compensar os efeitos da retirada dos Estados Unidos do acordo nuclear do Irã não são satisfatórias.

Em uma conversa por telefone com o presidente francês, Emmanuel Macron, “Rouhani declarou que o pacote proposto pela Europa ao Irã para continuar sua cooperação no âmbito do JCPOA [sigla oficial do acordo] não respondiam a todas as exigências da República Islâmica”, informou a agência oficial de notícias iraniana Irna.

O acordo histórico de 2015 submete o Irã a um estrito controle de suas atividades nucleares com o objetivo de impedir que o país se dote da arma atômica. Em troca, seriam suspensas as sanções internacionais contra o Irã com a perspectiva de novos investimentos.

À saída dos americanos do pacto, anunciada em maio, somaram-se fortes ameaças de sanções contra todos aqueles que fizerem negócios com Teerã.

Leia mais  Ferlinghetti, o último dos beatniks, morre aos 101 anos

Depois de ter ameaçado, em várias ocasiões, retomar suas atividades de enriquecimento de urânio, o Irã tenta obter compensações econômicas por parte dos europeus diante da retirada de Washington.

Impossível compensação total 

“Esta não será a última discussão” sobre este tema com o Irã, admitiu Mass, reconhecendo que os europeus “não podem compensar tudo”.

“Mas querem mostrar ao Irã que uma retirada teria mais desvantagens do que se manter” no acordo, acrescentou.

Desde que o governo Trump denunciou o texto, a perspectiva de retorno das sanções americanas fez os investidores estrangeiros começarem a fugir.

O fabricante automotivo francês Peugeot e o armador dinamarquês de navios petroleiros Maersk Tankers se preparavam para deixar o país. A francesa Total pode se retirar de um projeto de desenvolvimento do grande campo petroleiro iraniano Pars Sud.

Leia mais  Chinesa CanSino diz que sua vacina tem eficácia superior a 65%

Teerã não esconde sua impaciência. “O tempo de negociações está acabando”, advertiu, no início de junho, o presidente do Parlamento iraniano, Ali Larijani.

O aiatolá Ali Khamenei exigiu uma garantia para as vendas iranianas de petróleo e para as transações comerciais.

A Europa se encontra, assim, submetida a uma dupla pressão: a de Teerã, que precisa de investimentos estrangeiros para recuperar sua economia, e a de Washington, que pode impor sanções contra suas empresas e privá-la do acesso ao mercado americano.

Prova de que há urgência – as primeiras sanções americanas serão reimpostas em agosto – é que Rouhani esteve em Genebra e em Viena esta semana, onde defendeu que o acordo seja salvo.

“Enquanto for possível para o Irã, continuaremos fazendo parte do acordo. Não abandonaremos o JCPOA, com a condição de que possamos nos beneficiar dele”, afirmou Rouhani.

Comentários