Exterior

Alemanha está disposta a trabalhar com Biden e virar a página de Trump

A chanceler alemã também comemorou que a vice-presidência é ocupada por Kamala Harris
Crédito da foto: Michael Kappeler / Pool / AFP

A Alemanha quer virar rapidamente a página para esse período e se concentrar na cooperação com o presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden. Isso, apesar de ser um país que Donald Trump fez de bode expiatório por suas divergências econômicas e de defesa com a Europa.

A chanceler alemã, Angela Merkel, não fez a menor alusão, em uma declaração solene sobre as presidenciais nos Estados Unidos, ao presidente republicano de saída nesta segunda-feira.

Merkel coincidirá com seu quarto presidente dos Estados Unidos desde que chegou ao poder em 2005. Ela preferiu saudar a eleição do candidato democrata, “um homem de experiência” que “conhece bem a Alemanha e a Europa”.

A chanceler acrescentou que seu país está disposto a enfrentar os problemas globais “lado a lado” com os Estados Unidos e o presidente eleito Joe Biden.

Merkel, a primeira mulher a tomar as rédeas da Alemanha, também comemorou que a vice-presidência é ocupada por Kamala Harris, filha de pai jamaicano e mãe indiana. Segundo ela, a eleição de Kamala é uma “fonte de inspiração para muitos. Um exemplo das possibilidades dos Estados Unidos”.

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Alívio

Para Merkel, que deixa o poder em 2021, como para toda a classe política alemã – exceto para o partido de extrema direita AfD – a página de Trump foi virada com alívio.

Nunca houve simpatia entre a ex-cientista da RDA e o milionário de Nova York, que não hesitou em criticar o que classificou de decisão “tola” de hospedar migrantes em 2015.

Trump recentemente acusou a China, o Irã e a Alemanha de quererem “se livrar” dele. E em quatro anos de mandato, ele nunca visitou a principal potência econômica europeia, apesar de ser uma sólida aliada dos Estados Unidos desde 1945.

Apesar de suas origens alemãs distantes, Trump acusou o país de vender muitos carros nos Estados Unidos e de não participar o suficiente dos gastos militares. Em julho, Trump decidiu, sem acordo, retirar 12 mil soldados americanos da Alemanha, mesmo correndo o risco de colocar cidades onde as estruturas de comando para a Europa e África estão em dificuldades financeiras.

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“Estamos cansados de ser tolos: reduzimos nossas forças porque eles não pagam”, disse Trump.

“Em termos de estilo e conteúdo, Biden será um presidente diferente, muito mais europeu”, comenta o canal público ARD. Essa afirmação faz alusão à vontade do presidente eleito de voltar ao Acordo de Paris sobre o clima. Outra expectativa é de que Biden busque canais diplomáticos sobre o acordo nuclear iraniano, abandonado unilateralmente por Trump.

“O tom será mais equilibrado e cooperativo”, avaliou Ben Hodges, ex-comandante-chefe das tropas dos Estados Unidos estacionadas na Europa, ao jornal Der Spiegel.

Divergências

Apesar de tudo, haverá divergências, como o projeto do gasoduto Nord Stream 2 executado pela Alemanha e pela Rússia, que em 2018 rendeu a Merkel a acusação de Trump de ser “prisioneira da Rússia”.

O Partido Democrata dos EUA também se opõe ao projeto Nord Stream 2, que pode competir na Europa com o gás natural dos EUA.

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Diante da crise econômica causada pelo coronavírus, Joe Biden seguirá a política de Donald Trump “EUA primeiro”, embora o faça “de uma forma mais inteligente e menos radical”, acredita o economista alemão Marcel Fratzscher.

Como sob as presidências de Barack Obama e Donald Trump, “a Europa não será tão central como costumava ser para os Estados Unidos”, agora voltando-se para a Ásia ou para África, adverte o jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung. (AFP)

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