Esporte

Tino Marcos se despede da Globo após 35 anos

O repórter explicou os motivos para deixar a cobertura esportiva na emissora
Profissional cobriu seis Jogos Olímpicos e oito Copas do Mundo durante seus 35 anos na emissora. Crédito da foto: Reprodução/Twitter

O jornalista esportivo Tino Marcos, 58 anos, anunciou nesta terça-feira (2) sua saída da Globo após 35 anos. Com diversas Copas do Mundo, Olimpíadas, Pans e outros eventos esportivos na bagagem, o repórter explicou o motivo da decisão.

“A pandemia é uma variável decisiva nesse processo. Tornou inviável o modelo de trabalho que eu vinha tendo, voltado para matérias com mais fôlego, séries, grandes produções. Isso se resumiu muito. E tem todo um contexto. Minha filha se formando na faculdade, minha esposa se aposentando esse ano, eu perdi os meus pais”, iniciou.

“A vida, 2021, está me trazendo muitas novidades. Por agora é isso aí. Viver essa pandemia, ficar em casa o máximo que eu posso. O que eu gosto mesmo é de produzir conteúdo, contar histórias”, completou o jornalista.

No total, Tino Marcos cobriu pela Globo seis Jogos Olímpicos, oito Copas do Mundo e 30 anos no cotidiano da Seleção Brasileira, além de outras reportagens de fôlego e viagens mundo afora. Em julho de 2021, vai ao ar seu último projeto na emissora, uma série olímpica para o “Jornal Nacional”.

Nota da Globo

Confira abaixo a nota emitida por Renato Ribeiro, diretor de Conteúdo de Esporte da emissora, que deixa as portas abertas para projetos futuros entre as partes:

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“Amigas e amigos,

Em julho de 2019, Tino Marcos nos procurou pedindo uma mudança. Queria deixar a cobertura da Seleção Brasileira e o dia-a-dia em geral para se dedicar a projetos especiais. Era o primeiro passo de uma ideia maior: de, aos poucos, se despedir da reportagem. Na semana passada, Tino nos procurou novamente pra dizer que esse dia chegou. É raro alguém ter a sabedoria, a coragem e a serenidade de decidir parar no auge. Tino quer curtir a vida e ficar perto da família depois de tantos domingos trabalhados, de tantas longas viagens, de tanto tempo afastado de casa.

Sem exagero algum, Tino Marcos deixar a reportagem é como Pelé se despedir dos campos. Tino entrou na Globo em maio de 1986 e foi um dos responsáveis pela criação de um jeito único e bem brasileiro de se contar histórias esportivas na TV. Um gênio do audiovisual, da decupagem frame a frame, da pergunta exata, do texto perfeitamente casado com a imagem. Um estilo que influenciou gerações. Tino é até hoje referência.

As reportagens dele se confundem com a história do esporte brasileiros nos últimos 35 anos. Pra se ter uma ideia do peso de Tino Marcos, no início da carreira – ainda no Cruzeiro – o sonho do Ronaldo era ser entrevistado por ele num jogo do Brasil. Há a história de um aniversário do Fenômeno em Bento Ribeiro em que a maior atração da festa foi o Tino. Ronaldo teve que pedir pra todos “deixarem o Tino em paz pra ele trabalhar.” O microfone do Tino marcou a carreira inteira do Fenômeno e de muitos outros craques. Foi o repórter do tetra e do penta.
Soube se reinventar, mudando a linguagem das reportagens ao longo do tempo. Generoso, ajudou na carreira de inúmeros repórteres (me incluo nessa longa lista). Foi inspiração de muita gente. Qual repórter não foi chamado de Tino nas ruas? Virou sinônimo do ofício.

Tino continuará conosco ainda no mês de fevereiro para finalizar os episódios de uma série olímpica para o JN, que irá ao ar em julho. Será seu último presente para todos como repórter. Mas as portas da Globo sempre estarão abertas para qualquer tipo de parceria com o Tino no futuro.
Em nome da Globo e de todos os colegas só tenho a agradecer, Tino, por tudo o que fez nesses anos. Por ter sido quem foi. Pela herança que deixa.

-Galvão!
-Diga, Tino!
-Sentiu.

Sentiremos todos, Tino.
Seja feliz com Virginia, Pilar e Laura.
Sinta-se abraçado por todos os seus colegas e fãs,
Renato”

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