Esporte

Solidariedade é bola da vez na várzea com cestas arrecadadas para doação

Sem poder competir, clubes arrecadam alimentos para ajudar famílias em vulnerabilidade social
Solidariedade é bola da vez na várzea
Em pouco tempo, campanha conseguiu 700 cestas básicas, 150 kits de higiene e 50 caixas de leite. Crédito da foto: Divulgação / Amigos da Várzea

A falta de competições nos finais de semana fez os envolvidos com o futebol varzeano em Sorocaba voltar os olhos para outras pessoas que enfrentam dificuldades diárias, como a fome, que atinge inúmeras famílias pelo País afora.

Segundo estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2019, o Brasil conta com 13,5 milhões de cidadãos vivendo em condição de extrema pobreza. São pessoas que buscam sobreviver com até R$ 145 mensais.

Com uma pandemia em curso, que inviabilizou o acesso à renda através do trabalho informal, e com as dificuldades para se conseguir o auxílio emergencial do Governo Federal, a situação fica ainda mais crítica. E foi por isso que o grupo sorocabano Amigos da Várzea resolveu se unir.

O grupo de Whatsapp foi criado para a interação entre os times varzeanos. Porém, há cerca de um mês surgiu a ideia de ajudar as famílias atingidas pela pandemia através da força da várzea. Rapidamente, a comunidade do futebol amador iniciou o trabalho.

 

São alimentos e produtos de higiene doados por torcedores, jogadores e todos que se interessarem em auxiliar o próximo. Os clubes colaboram nas arrecadações. Em um barracão do projeto, os kits são montados e organizados.

“Os clubes arrecadam e temos uns pontos de encontro. As doações ficam em nosso barracão. Alguns empresários doaram uma quantia em dinheiro, que revertemos diretamente em cestas básica”, explicou José Paixão, um dos organizadores da campanha.

A adesão foi enorme e até clubes de fora de Sorocaba estão ajudando. O Tomodachi, de Praia Grande, no litoral paulista, faz parte do movimento. Atualmente, já foram arrecadadas cerca de 700 cestas básicas, 150 kits de higiene e 50 caixas de leite.

Para doar, é simples, como explica Paixão. “Você pode falar para o time da várzea do seu bairro que você quer fazer uma doação. Você que sabe onde é o grêmio do time, o local do terceiro tempo do time, deixe a sua doação lá que nós vamos buscar.”

A grande quantidade de produtos arrecadados surpreendeu os organizadores e gerou dúvida sobre a logística para entrega das doações. Foi nesse momento que a assistente social Priscilla Pereira Dutra passou a fazer parte do projeto.

“Acabou ganhando uma proporção maior do que eles esperavam. Eles chegaram a (arrecadar) 700 cestas básicas. Quando essa proporção chegou, eles ficaram perdidos na questão da entrega”, contou a Priscilla.

Outra questão que também surgiu foi sobre qual comunidade seria atendida. A assistente social sugeriu o bairro de George Otterer, que fica na divisa entre Sorocaba e Iperó, e sofre com a falta de assistência do poder público.

 

São famílias que vivem, muitas vezes, em áreas ocupadas, sem as condições mínimas de saneamento básico, por exemplo. De acordo com Priscilla, também existem muitas crianças que são filhas de pessoas que estão em prisões, necessitando ainda mais de ajuda.

Já na próxima terça-feira (9), as primeiras doações serão entregues. “Vamos pegar (nomes de famílias) dentro do cadastro de iniciativas voluntárias. Escolhemos uma missão de uma escola dominical, que ficha as crianças”, explicou a assistente social.

Um caminhão foi emprestado por um empresário sorocabano para levar as cestas básicas e os kits. Alguns membros do grupo, com seus carros particulares, também levarão os mantimentos e serão os responsáveis pela entrega.

“Iremos treinar uma equipe para fazer a entrega, na segunda-feira (8), para entender toda a realidade das famílias. Eles não vão entregar somente e abandonar, mas eu sugeri que possam acompanhar a evolução dessas famílias”, falou Priscilla.

Com a solidariedade à flor da pele, a intenção é que a campanha permaneça. “Nosso projeto teve início mas não terá data para terminar, pois nessa pandemia muitos estão passando fome”, finalizou Paixão. (Zeca Cardoso)

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