São Bento

1 ano de Edson Vieira

Após acesso e queda, técnico do São Bento parte para a maior missão
1 ano de Edson Vieira
Treinador comandará um clube na principal competição regional do Brasil pela primeira vez. Crédito da foto: Fábio Rogério (5/1/2021)

“Faço parte da história e amo esse clube. Tenho muito carinho e orgulho de ser treinador do São Bento”. Quando Edson Vieira fala sobre o São Bento, os olhos do treinador brilham. Não é apenas uma relação profissional: é algo passional.

Hoje, sua segunda passagem pelo Bentão completa um ano. No dia 26 de fevereiro de 2020, Edson chegou com a missão de resgatar o time da zona do rebaixamento da Série A2 do Campeonato Paulista. E o trabalho foi além: conquistou o acesso à elite estadual. É o terceiro técnico com mais vitórias dirigindo o clube — são 36 no total –, além do título da Série A3 do Campeonato Paulista, em 2013, e o vice-campeonato do ano passado.

Amanhã (27), pela primeira vez, comandará um clube na principal competição regional do Brasil. “O Edson Vieira nunca trabalhou na Série A1, só que eu tenho 55 anos. Eu joguei em time grande, joguei fora do País, joguei em uma seleção brasileira. Então, eu convivi dentro do campo em um nível bem acima. Eu estudo muito”, pontuou.

O retorno ao São Bento foi na tentativa de resgatar o espírito de luta, de entrega, que são características dos trabalhos de Edson. Transpiração e cobrança podem ser a sua assinatura. E dentro de campo, o torcedor pode esperar o mesmo. “Não vamos ser um time morno, vamos ser um time guerreiro. E um time guerreiro, cobra (um do outro). O cara fez a jogada boa, incentiva. Ele tentou fazer a jogada e errou, dá moral. Isso faz parte de times que começam a ser vencedores”.

Vencer está nos planos. A principal missão é manter o São Bento na primeira divisão do Paulista. Com uma das menores folhas salariais, conquistar a permanência é a meta da direção. Porém, Edson Vieira garante que esse não pode ser o seu único objetivo. “Eu não posso pensar só nisso. Tenho que acreditar, ter fé e passar para os meus jogadores não terem medo, e que a gente vai fazer história no Campeonato Paulista. Vamos fazer algo além de não cair. Essa é a minha visão”, afirmou.

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O perfil do comandante beneditino é de luta, entrega e aconselhamento. Nos treinamentos é possível vê-lo atento aos detalhes do passe, da finalização de seus atletas. Mas o seu trabalho não fica apenas dentro de campo. “Já consegui tirar jogador da droga, da bebida. A fazer voltar jogador que abandonou a família. Não sou só um treinador dentro de campo. Procuro falar com eles de finanças, sobre a pandemia, de guardar dinheiro”, confessou.

Com essa relação tão intensa, 2020 foi um ano que marcou o técnico. Primeiro, pelo sucesso na Série A2, conseguindo devolver o time ao Paulistão um ano após a queda. Mas também teve dor. O rebaixamento na Série C do Campeonato Brasileiro o atormentou. “Tenho muitas cicatrizes que doem muito da Série C. Eu aprendi muito na Série C. Acho que o homem só aprende na derrota, na alegria não aprende absolutamente nada. Passei muitas noites sem dormir, muito triste mesmo”, confessou.

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Resultado é uma das únicas métricas de sucesso do trabalho no futebol brasileiro. Por isso, ele sabe que cobranças irão acontecer se as coisas não funcionarem durante o estadual. E que mudanças são inevitáveis. Só uma coisa não vai mudar: o amor ao Bentão. “Vou trabalhar em outro clube (um dia). Vou ser profissional, vou dar meu melhor, mas aqui (no São Bento) eu tenho o algo a mais. Me identifico com esse clube. Aqui sempre vai fazer parte da minha vida, dos meus filhos”, disse.

O sentimento é estendido a Sorocaba. “Essa cidade me deu tudo. Me deu amigos, me deu conquistas, um clube que eu amo. Estou em um lugar que me abriu as portas. Eu sou grato (à cidade). Se é uma palavra que gosto de ter comigo é gratidão. Me sinto sorocabano”, finalizou.

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Jogo contra o Ituano muda de horário

A Federação Paulista de Futebol (FPF) alterou o horário do jogo entre Ituano e São Bento, marcado para quinta-feira (4), no Estádio Dr. Novelli Júnior, em Itu, pela segunda rodada do Paulistão. O horário foi antecipado das 17h para as 15h. De acordo com a FPF, a alteração do horário da partida deu-se “em função das novas medidas implementadas pelo Governo do Estado de São Paulo, que determina restrição de circulação de pessoas no horário das 23h às 5h”. A partida será realizada com portões fechados, como todas as outras do Paulistão, por conta da pandemia da Covid-19. (Zeca Cardoso)

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