Buscar no Cruzeiro

Buscar

Educação

Sete atletas do Poli equilibram esporte e estudos

Jovens de 14 a 16 anos acumulam medalhas e títulos em diferentes modalidades

26 de Agosto de 2026 às 20:32
Murilo Aguiar [email protected]
Estudantes da instituição de ensino disputam torneios, com disciplina e dedicação
Atletas representam o jiu-jitsu, judô, xadrez, natação e BMX (Crédito: Fábio Rogério)

Medalhas, títulos nacionais, resultados internacionais e participações em algumas das principais competições de suas modalidades já fazem parte da trajetória de sete jovens atletas do Colégio Poli, mantido pela Fundação Ubaldino do Amaral (FUA). Com idades entre 14 e 16 anos, Filipe Gabriel Pereira Pinto, Emanuelle Oliveira Fernandes, Théo Andreas Alvarado Oliveira, Matheus Kataoka, Miguel Tijon de Almeida, Samuel Gutierres da Paz e Isadora Flório conciliam uma rotina esportiva de alto rendimento com aulas, provas e trabalhos escolares.

Os atletas representam o jiu-jítsu, judô, xadrez, natação e BMX (bicicross). Apesar das particularidades de cada esporte, as histórias se encontram em um mesmo ponto: a disciplina necessária para continuar conquistando resultados sem deixar a formação escolar em segundo plano.

No jiu-jítsu, Filipe Gabriel, de 16 anos, pratica há 13 e já reúne conquistas em campeonatos mundiais, além de resultados em torneios da ADCC e outras competições. Influenciado pelo pai e pelo irmão, começou no esporte por diversão, mas rapidamente passou a competir. Ao explicar o que considera fundamental para chegar aos resultados, não hesita: "Disciplina".

O desempenho já colocou Filipe diante de uma decisão importante. Durante uma viagem à Califórnia, nos Estados Unidos, recebeu uma proposta para permanecer no país e treinar em uma academia de jiu-jítsu. A oportunidade, porém, poderia comprometer os estudos. Após conversar com os pais, professor e patrocinadores, decidiu voltar ao Brasil.

"Como eu ainda sou muito novo e tenho muitas coisas pela frente, não compensa eu arriscar tudo num tiro só agora, nesse estágio da minha vida", explica.

No judô, Emanuelle Fernandes, de 14 anos, também convive desde cedo com competições. Atleta há cerca de seis anos, ela destaca resultados nos Jogos Escolares, Campeonato Paulista e Brasileiro. Para manter o rendimento esportivo ao mesmo tempo em que cumpre as obrigações escolares, Emanuelle reforça que o foco é fundamental.

No xadrez, Théo Andreas, de 14 anos, acumula participações e conquistas em campeonatos após começar na modalidade influenciado pelo pai. O treinamento é diário e, para ele, a exigência mental do esporte também trouxe reflexos para os estudos. "Depois de começar a fazer xadrez, é como se a escola ficasse mais fácil", afirma. O atleta destaca principalmente o ganho de confiança proporcionado pelas competições.

Samuel Gutierres, também de 14 anos, compete há três e já enfrentou adversários adultos. Aos 12 anos, classificou-se para uma semifinal do Sorocabana adulto e, posteriormente, chegou à final da competição. Neste ano, volta a buscar espaço nas fases decisivas.

Samuel conta que já disputou uma partida de aproximadamente seis horas e que o esporte também desenvolveu seu controle emocional. "No meu primeiro ano, eu ficava muito abalado quando perdia. Mas agora eu fico muito mais calmo", relata.

Na piscina

Na natação, Matheus Kataoka, de 15 anos, compete desde 2022 e já participou de conquistas coletivas nos revezamentos 4x50, 4x100 e 4x200 livre. A preparação inclui musculação três vezes por semana e treinos na piscina de segunda-feira a sábado, com sessões que chegam a 6 ou 7 quilômetros.

"Acho que é a disciplina que me ensinou a conciliar estudo e treino. Foi a disciplina que me formou a pessoa que sou hoje", diz Matheus.

O companheiro de modalidade Miguel Tijon, de 14 anos, estima já ter conquistado mais de cem títulos. A história dele na piscina começou há cerca de cinco anos por questões de saúde. Após perceber melhora nos problemas respiratórios, continuou nadando e passou a competir. Hoje, tem preferência pelos estilos borboleta e peito e cita o medalhista olímpico Thiago Pereira como referência.

BMX

No BMX, Isadora Flório, de 14 anos, já alcançou resultados nacionais e internacionais. A atleta afirma ser a quarta melhor da América Latina, além de bicampeã nacional e dona de vice-campeonatos em diferentes competições. A trajetória começou há quatro anos, quando passou a acompanhar vizinhos que já eram referências na modalidade.

Os resultados exigem uma rotina organizada entre bicicleta e livros. "Antes do treino eu estudo um pouco. Depois do treino eu estudo um pouco. A gente vai encaixando o que precisa fazer", conta. Para Isadora, o BMX trouxe "confiança", "disciplina" e mais foco.

Multicampeões

Mesmo com currículos esportivos construídos ainda na adolescência, os sete atletas mantêm os estudos como parte da trajetória. Para eles, representar o Colégio Poli também significa mostrar a outros jovens que o desenvolvimento esportivo pode caminhar junto com a formação escolar.

"Às vezes, muitos atletas não levam o estudo a sério. Eu acho que nós, como atletas, representando o colégio, incentivamos outros atletas ou outros estudantes a entrarem no esporte e outros atletas a se esforçarem mais no estudo", destaca Isadora.

Os sete pretendem continuar competindo e enxergam a possibilidade de seguir profissionalmente em suas modalidades. Enquanto novos campeonatos e objetivos aparecem no horizonte, a rotina permanece dividida entre sala de aula e esporte de alto rendimento. Para esses alunos-atletas do Colégio Poli, as conquistas não se resumem às medalhas: passam também pela capacidade de fazer educação e esporte avançarem lado a lado.

 

Galeria

Confira a galeria de fotos