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Discussão

Fifa e Uefa disputam controle sobre o futuro do futebol mundial

Proposta da entidade máxima prevê abrir espaço para investidores privados e ampliar recursos para o esporte

29 de Julho de 2026 às 21:55
Murilo Aguiar [email protected]
Gianni Infantino dirige a Fifa e Aleksander Ceferin a Uefa
UEFA tem demonstrado incômodo com o crescimento da influência da FIFA sobre o calendário internacional (Crédito: Divulgação/UEFA)

A relação entre Fifa e Uefa vive um dos momentos mais delicados dos últimos anos. O novo capítulo da disputa começou após a entidade máxima do futebol apresentar um projeto para criar a Fifa Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária que reunirá toda a operação comercial da entidade, incluindo direitos de transmissão, patrocínios, licenciamento, venda de ingressos e a organização de competições como a Copa do Mundo e o Mundial de Clubes. A proposta prevê a venda de até 20% da empresa para investidores privados, mantendo a Fifa responsável por todas as decisões esportivas e regulatórias.

Segundo a Fifa, a iniciativa permitirá arrecadar cerca de US$ 4,2 bilhões e ampliar os investimentos destinados ao desenvolvimento do futebol. O plano prevê elevar significativamente os repasses às 211 federações filiadas por meio do programa Fifa Forward, além da criação de uma linha adicional de financiamento para projetos de infraestrutura e crescimento da modalidade em diferentes países.

A proposta, entretanto, provocou forte reação da Uefa. Em comunicado, a confederação europeia afirmou que o projeto "ultrapassa uma linha que as instituições do futebol nunca deveriam cruzar" e argumentou que a governança do esporte não pode ser tratada como um ativo comercial. A entidade também criticou a falta de transparência na elaboração do plano e alegou que federações, ligas, clubes e demais envolvidos não foram consultados antes do anúncio.

O embate, porém, vai além da criação da nova empresa. Nos últimos anos, a Uefa tem demonstrado incômodo com o crescimento da influência da Fifa sobre o calendário internacional. A ampliação da Copa do Mundo para 48 seleções, a reformulação do Mundial de Clubes e a criação de novas competições são vistas pelos dirigentes europeus como medidas que aumentam a carga de jogos e podem reduzir o protagonismo das competições organizadas pela Uefa, especialmente a Liga dos Campeões, principal fonte de receita da entidade.

A crise se intensificou na Copa do Mundo de 2026 e ganhou novos contornos após a divulgação do projeto da Fifa. A Uefa chegou a convocar uma reunião de emergência para discutir uma resposta conjunta entre suas federações. (Estadão Conteúdo)