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Copa do Mundo

Uma final, duas paixões

Sorocabano que defendeu a seleção espanhola no futsal e dono do Bar do Argentino vivem a decisão da Copa do Mundo em lados opostos

18 de Julho de 2026 às 20:55
Murilo Aguiar [email protected]
Decisão da tarde deste domingo coloca frente a frente duas histórias ligadas a Sorocaba
Decisão da tarde deste domingo coloca frente a frente duas histórias ligadas a Sorocaba (Crédito: Murilo Aguiar)

A final da Copa do Mundo de 2026 entre Argentina e Espanha terá um significado especial para Sorocaba. A cidade estará representada dos dois lados da decisão por personagens que construíram histórias bem diferentes, mas que compartilham a mesma paixão pelo esporte.

De um lado está Daniel Ibáñez, sorocabano de 49 anos que fez carreira no futsal espanhol, se naturalizou e chegou à seleção da Espanha. Atualmente, mora em Segóvia, a cerca de 90 quilômetros de Madri, e comanda o Pirossigeno Cosenza, da primeira divisão italiana.

Do outro, o argentino Claudio Alejandro Lamedica, 61 anos, proprietário do tradicional Bar do Argentino, na rua Eugênio Salerno, Centro. Morando no Brasil há mais de 34 anos — 23 deles em Sorocaba —, ele nunca deixou de acompanhar de perto a seleção de seu país.

Enquanto Daniel aposta na força coletiva da Espanha para conquistar o título, Claudio espera ver Lionel Messi levantar mais uma taça e transformar novamente seu bar em ponto de encontro dos torcedores argentinos.

Aposta na força do coletivo

Daniel conhece de perto o futebol espanhol e acredita que o principal trunfo da equipe está na manutenção de uma identidade construída desde as categorias de base. "A Espanha joga igual em todas as categorias. Cada jogador que chega ao time adulto já sabe como a equipe quer jogar", explica.

Segundo ele, a Copa do Mundo é vivida de maneira diferente pelos espanhóis quando comparada ao Brasil e à Argentina. "Aqui na Espanha não se vive o Mundial como no Brasil ou na Argentina. Até passar da fase de grupos, a turma não acompanha tanto. No Brasil, o povo já acompanha desde o primeiro dia."

Na avaliação do ex-atleta, o título conquistado em 2010 fortaleceu a relação dos espanhóis com a seleção, mas o grande diferencial continua sendo a fidelidade ao estilo de jogo. "Ser fiel ao estilo será fundamental para poder ganhar. A geração de 2010 era incrível, mas o modelo de jogo continua praticamente o mesmo: sempre estar com a bola."

O palpite do sorocabano é uma vitória espanhola por 2 a 0, com gols de Lamine Yamal e Mikel Oyarzabal. Ainda assim, ele reconhece que Lionel Messi pode desequilibrar qualquer decisão. "O respeito que todo mundo tem pelo Messi assusta e pode fazer a diferença para a Argentina. Mesmo assim, acho que a Espanha ganha por 2 a 0."

Encontro em choperia

A Casa da Espanha de Sorocaba Dom Felipe II promove um encontro para acompanhar a final da Copa do Mundo entre Espanha e Argentina. A confraternização será realizada na Imperatriz Choperia, localizada na avenida José Marcelino Barbosa, 173, Vila Haro, com início às 14h. O evento reunirá descendentes de espanhóis de Sorocaba e região para torcer pela seleção espanhola. Segundo o presidente da entidade, Alexandro Giovanni Martins, o objetivo é celebrar a cultura espanhola e fortalecer os laços da comunidade. A partida começa às 16h.

Pronto para mais
uma festa

Se Daniel acompanhará a decisão da Europa, Claudio viverá a final cercado por torcedores em Sorocaba. Durante todo o Mundial, o Bar do Argentino recebeu apaixonados pelo futebol e, para a decisão, abrirá às 11h30, com transmissão em telão e televisões. A entrada será por ordem de chegada, sem reserva de mesas.

A expectativa é repetir o movimento registrado na final da Copa de 2022. "Foi uma festa. Foi o melhor dia do Bar do Argentino. Acredito que agora será, pelo menos, igual."

Mesmo depois de mais de três décadas vivendo no Brasil, Claudio diz que sua ligação com a seleção argentina permanece inalterada. "Quando eu vejo a seleção jogar, eu me identifico extremamente com ela. Pela vontade, pela raça e pela força. Eles não aceitam perder."

Para ele, a equipe nacional representa um sentimento que vai além da paixão pelos clubes. "Eu tenho meu time do coração na Argentina, que amo, mas a seleção representa outra coisa para nós. É o amor máximo. O povo argentino se identifica com a seleção."

Dentro de campo, Claudio acredita que a Argentina chega fortalecida pela capacidade de competir até o último minuto e aponta Messi como o grande diferencial da equipe. "A equipe joga para o Messi, mas ele devolve. Ele é o combustível do resto do time. Quando precisa correr e participar, ele faz. É aquele que define."

Sem arriscar um placar, aposta em um confronto equilibrado e acredita que o meio-campo será decisivo. "O jogo vai ser definido no meio-campo. Quem controlar essa parte terá uma vantagem."

Neste domingo, Sorocaba viverá uma final dividida entre duas paixões. De um lado, um filho da cidade que encontrou na Espanha o caminho para construir uma carreira de sucesso e defender a seleção nacional. Do outro, um argentino que fez de Sorocaba sua casa e transformou o bar em um símbolo da cultura de seu país. Trajetórias distintas que aproximam a cidade de uma das decisões mais aguardadas do futebol mundial.

Os dois melhores

Espanha e Argentina decidem a Copa do Mundo de 2026 hoje (19), às 16h (de Brasília), no MetLife Stadium, em East Rutherford, Estados Unidos. A seleção espanhola chega à decisão com campanha dominante após eliminar Portugal, Bélgica e França. Já a Argentina precisou superar confrontos mais equilibrados no mata-mata, mas contou com o protagonismo de Lionel Messi para alcançar a final. A partida terá transmissão ao vivo pela TV Globo, SBT, SporTV, N Sports e CazéTV.

Surpresa inglesa

A disputa pelo terceiro lugar surpreendeu ao ser uma das melhores partidas da Copa. O confronto europeu teve dez gols e dois tempos bem diferentes: no primeiro, a Inglaterra se impôs e fez 4 a 0.

Logo aos 3 minutos, Declan Rice abriu o placar para os ingleses, no prenúncio do que seria um primeiro tempo quase perfeito. Aos 18, Konsa aumentou o placar e ainda houve tempo para Bukayo Saka marcar duas vezes, aos 37 e aos 46, com os times indo para o vestiário com quatro gols de vantagem para a Inglaterra.

No segundo tempo, o técnico Didier Deschamps fez quatro alterações e a França se transformou. Puxada por Dembélé e Mbappé, a equipe marcou três gols em menos de vinte minutos e colocou fogo no jogo. Aos 42, uma arrancada de Rogers foi parada por Gusto: pênalti para a Inglaterra, convertido por Saka, que anotou um hat-trick.

Mas as emoções não haviam terminado: Dembélé marcou para a França aos cinquenta minutos em belíssimo chute de canhota. Dois minutos depois, em um contra-ataque da Inglaterra, Bellingham, agora sim, colocou números finais no jogo. Inglaterra seis. França quatro. Inglaterra em terceiro lugar em uma Copa do Mundo pela primeira vez.

 

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