Copa do Mundo
Dia 22: Ponteiros
Portugal, Suíça e Espanha avançam para as oitavas. Modric se despede das Copas
O futebol tem uma relação peculiar com o tempo: partidas deveriam ter 90 minutos, às vezes 120, e, às vezes, a eternidade. Mas o tempo é senhor de si mesmo, avança com a precisão inabalável de um maquinário perfeito ou se arrasta meticulosamente na forma de recordes. A rodada de hoje desta Copa do Mundo foi, acima de tudo, um ensaio sobre os ponteiros do relógio e os caprichos da eternidade.
No jogo que ficará para sempre na memória, o tempo foi cruel e espetacular. Portugal e Croácia protagonizaram um duelo em que a lógica cedeu espaço ao caos absoluto. Foram sete gols marcados e quatro anulados. Vitória portuguesa com gol nos acréscimos. Teremos tempo para ver Cristiano Ronaldo em campo novamente, enquanto o gênio Luka Modric dá seu último adeus ao maior palco do futebol. Um gigante que vê sua ampulheta chegar ao fim no torneio.
Em contraste absoluto com o drama e o caos, a Espanha provou que é possível controlar o relógio tocando a bola de pé em pé. Sem o brilho de atuações apoteóticas, mas com uma autoridade inegável, a equipe superou a Áustria guiada pelos gols de Oyarzabal. Mas a verdadeira história escrita não estava no ataque, e sim embaixo das traves. Ao completar 519 minutos sem ser vazado, Unai Simón quebrou o histórico recorde do italiano Walter Zenga.
E se o assunto é a contagem exata do tempo, ninguém o domina como a Suíça. Sem alarde, sem holofotes e com um futebol quase protocolar de tão seguro, a equipe europeia fez mais uma vítima rumo às oitavas. A Argélia até tentou, mostrou qualidade e uma boa proposta de jogo, mas esbarrou em um sistema que beira a frieza absoluta. Dois gols, um em cada tempo, carimbaram o passaporte suíço, como já virou rotina. Mais uma vez consistentes, mais uma vez letais e, como não poderia deixar de ser, pontuais como seus relógios.