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Copa do Mundo

Entre tensão e alívio, sorocabanos comemoram

Fanfest no Campolim vive tarde de tensão até o gol de Martinelli; na Nippon Sorocaba, raízes orientais dividem espaço com a torcida pela seleção brasileira

29 de Junho de 2026 às 20:38
Murilo Aguiar [email protected]
Torcedores no Campolim
Classificação do Brasil sobre o Japão é vivida de maneiras diferentes, mas termina com o mesmo sentimento: alívio e comemoração (Crédito: Murilo Aguiar)

O grito ficou preso na garganta durante boa parte da tarde no Parque Carlos Alberto de Souza, no Campolim, zona sul de Sorocaba. Diante do telão da Fanfest Copa Chopp Brahma, os torcedores passaram do silêncio provocado pelo gol japonês à explosão de alegria com a virada do Brasil sobre o Japão por 2 a 1, nesta segunda-feira (29), pela fase eliminatória da Copa do Mundo de 2026. O sofrimento deu lugar ao alívio apenas nos acréscimos, quando a seleção garantiu a classificação.

O início da partida foi de apreensão. Apesar da maior posse de bola brasileira, o Japão conseguiu neutralizar as principais jogadas da equipe comandada por Carlo Ancelotti e abriu o placar ainda no primeiro tempo com Kaishu Sano. O gol esfriou a festa dos sorocabanos. A partir dali, o silêncio tomou conta de boa parte do público.

Na volta do intervalo, o ambiente voltou a ganhar vida. O Brasil passou a pressionar mais o adversário, empurrado também pela torcida em Sorocaba. Quando Casemiro apareceu na área para empatar de cabeça, a comemoração foi imediata. Abraços, gritos e bandeiras agitadas transformaram novamente a fanfest em uma arquibancada de estádio.

Mesmo com o empate, a tensão permaneceu. O alívio veio apenas nos acréscimos, com Gabriel Martinelli. Torcedores pularam, se abraçaram e cantaram diante do telão enquanto celebravam a classificação da seleção para as oitavas de final. Com o apito final, a tensão deu lugar à festa.

Coração brasileiro, raízes japonesas

O Cruzeiro do Sul também acompanhou a partida em outro cenário, onde Brasil e Japão dividiam mais do que o gramado. Na sede da Nippon Sorocaba, descendentes de japoneses viveram o confronto entre as duas seleções com um sentimento especial: orgulho das origens, mas com a torcida declaradamente voltada ao Brasil.

No Centro, descendentes de japoneses se reuniram para acompanhar o duelo. Apesar das raízes orientais, o coração falava mais alto pelo país onde nasceram. Entre os presentes, apenas uma pessoa vestia a camisa da seleção japonesa, mas até ela usava um boné do Brasil.

Quando Kaishu Sano abriu o placar para o Japão, o ambiente permaneceu em silêncio. O gol foi recebido com decepção e reclamações dos torcedores, que esperavam uma reação brasileira. A festa só voltou no segundo tempo, com o empate de Casemiro e, principalmente, com a virada nos acréscimos, que garantiu a classificação da seleção.

Segundo o diretor de comunicação da Nippon Sorocaba, Jefferson Takeda, a relação entre os dois países faz parte da própria identidade da comunidade, mas, quando a bola rola, a escolha é pelo Brasil.

"Durante esses dias todo mundo vem me perguntar: 'Para quem você vai torcer?'. Vou deixar bem claro para todo mundo: a gente torce para o Brasil. Até quem veio do Japão torce para o Brasil. Já estão com o coração tão brasileiro que não conseguem torcer contra", afirma.

Neto de japoneses e filho de descendentes nascidos no Brasil, o químico Vitor Ueda, de 27 anos, acompanhou a partida vestindo a camisa da seleção brasileira.

"Eu sou de Sorocaba, meus pais são descendentes de japoneses porque nasceram no Brasil mesmo. Eu gosto da cultura dos dois países, tanto do Japão quanto do Brasil. Sou bem ligado às duas, mas hoje estou torcendo para o Brasil", conta.

Mesmo declarando apoio ao Brasil, Vitor elogiou a atuação japonesa durante a partida. "A defesa do Japão está muito boa, mas ainda tenho fé no segundo tempo", disse durante o intervalo.

A analista de marketing Sophia Takeda, 22 anos, também escolheu vestir a camisa do Brasil. Para ela, independentemente do resultado, o confronto reunia sentimentos distintos.

"É engraçado, porque este ano principalmente você vê o time do Japão se esforçar bastante. Por gostar muito da seleção japonesa, eu acabava torcendo também. Então achei difícil quando os dois times caíram para se enfrentar", compartilha.

No fim, prevaleceu a torcida declarada. A virada brasileira foi comemorada com entusiasmo pelos presentes, que celebraram a classificação sem deixar de reconhecer a boa atuação da equipe japonesa. Assim, a tarde terminou com duas culturas lado a lado, mas com um sentimento predominante: o coração falou mais alto pelo Brasil. (Colaborou Thaís Verderamis)

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