Copa do Mundo
Dia 16: glória e lágrimas
Enquanto Cabo Verde faz história e a África vive uma Copa inesquecível, o futebol cobra seu preço e decreta o fim melancólico de heróis uruguaios
A maior história desta Copa do Mundo veste azul e atende por Cabo Verde. Uma pequena nação de 500 mil habitantes que ousou sonhar e, contra todas as probabilidades, mordeu. Os Tubarões Azuis avançam de fase de forma invicta, carregando no peito a esperança de um país e o carinho de todos os que amam futebol. Independentemente do que aconteça contra a Argentina, seus nomes já estão cravados na história.
A façanha cabo-verdiana é o grande símbolo de um torneio que tem sido mágico para a África. O continente tem motivos de sobra para celebrar em 2026. Com dez seleções classificadas e, até agora, apenas a Tunísia eliminada, os africanos impõem seu talento e sua resiliência. Senegal garantiu sua vaga com autoridade, o Egito avançou com o regulamento embaixo do braço.
Em outro campo, o mesmo torneio que abraça as surpresas também sabe ser cruel e impiedoso com quem construiu a história. Poucas coisas machucam mais no esporte do que a hora do adeus. Fernando Muslera, lenda de cinco Copas e herói uruguaio da épica campanha de 2010, descobriu isso hoje. Traído pelo capricho do gramado e pelo quique da bola, o ídolo falhou. Foi substituído ainda no intervalo e viu, do banco de reservas, a eliminação do Uruguai. O futebol não perdoa, e o apito final chega, inexoravelmente, para todos. Até para os ídolos.
IRÃ x EGITO
O Irã tem, de longe, a história mais difícil entre todos os países desta Copa. O país em guerra, as dificuldades logísticas, a proibição de permanência longa nos Estados Unidos e as viagens de volta para o México. Mas os iranianos, contra tudo e todos, estão vivos. Mais do que isso, chegaram a comemorar, nos últimos minutos, um gol que daria a vitória e a classificação direta. Impedido. Mas o Irã segue vivo como um dos melhores terceiros e aguarda o fim da rodada para comemorar. O Egito fez sua pior partida na Copa, mas o empate foi suficiente para avançar em segundo no grupo.
BÉLGICA x NOVA ZELÂNDIA
A Bélgica e sua badalada geração, em sua última dança, flertaram com a tragédia, mas conseguiram se acertar e golearam a Nova Zelândia. Com o resultado, a equipe assumiu a ponta do grupo, eliminou os neozelandeses e, agora, gera certo medo em qualquer adversário. Apesar de não ter encontrado ainda o melhor futebol, o bom nível técnico de seus jogadores e as boas opções até no banco tornam a Bélgica um adversário perigoso.
CABO VERDE x ARÁBIA SAUDITA
Os Tubarões Azuis conseguiram! E, pelo menos por enquanto, podem afirmar que são a única seleção a participar de uma Copa e nunca perder, nem mesmo um jogo. Com os três empates, Cabo Verde se classifica na segunda posição e agora vai enfrentar a Argentina. A Arábia Saudita lutou, mas não conseguiu ganhar dos africanos e volta para casa depois da primeira fase. A festa para os 500 mil cabo-verdianos não terminará cedo.
URUGUAI x ESPANHA
Poucas coisas no futebol machucam mais do que o fim. Alguns jogadores, apaixonados pela profissão, não sabem quando parar e acabam se aposentando depois de erros históricos. Fernando Muslera jogou cinco Copas do Mundo. Um dos maiores goleiros da história uruguaia, levou a equipe ao brilhante quarto lugar em 2010. Porém, o goleiro falhou. Traído pelo quique da bola, sofreu um gol que não poderia. Foi substituído ainda no intervalo e viu, do banco, o Uruguai ser eliminado.
SENEGAL x IRAQUE
O continente africano tem motivos de sobra para comemorar na Copa de 2026. Das 10 equipes classificadas, apenas a Tunísia foi eliminada até agora. Algumas ainda terão que se garantir, mas de qualquer forma o resultado já é histórico. Senegal caiu em um grupo extremamente forte, mas conseguiu, contra o Iraque, garantir a classificação como um dos melhores terceiros. A goleada deu saldo suficiente para Senegal se garantir na próxima fase. O confronto ainda será decidido, mas Senegal estará lá.
NORUEGA x FRANÇA
A Noruega tinha uma escolha para fazer: jogar com força máxima ou poupar. Caso ganhasse, poderia cair em uma chave com a Alemanha; em caso de derrota, ficaria na chave do Brasil. A decisão foi poupar todos os seus jogadores e enfrentar a França, que vinha com força máxima. O resultado? Goleada francesa. A Noruega chega para a próxima fase para enfrentar primeiro a Costa do Marfim e, se nada der errado, o Brasil nas oitavas de final. Já a França vai confirmando seu favoritismo sem tomar conhecimento dos adversários.