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Treinador

Ancelotti renova por mais quatro anos na seleção

19 de Maio de 2026 às 22:14
Vernihu Oswaldo [email protected]
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. (Crédito: Vitor Moretti)

Conhecido pelo jeito boa-praça, Carlo Ancelotti, o italiano que comandará a seleção brasileira na Copa do Mundo de 2026, carrega consigo a aura de vencedor e a reputação de conselheiro dos jogadores. Agora com contrato renovado por mais quatro anos, o treinador já provou estar em casa: em poucos meses no País, comeu churrasco, caminhou na orla carioca, destravou o português e até aprendeu a cantar o Hino Nacional.

Antes de vestir o terno e adotar a postura serena à beira do gramado, foi de chuteiras que Ancelotti forjou sua leitura de jogo privilegiada. Meio-campista clássico, atuou nos anos 1980 e início dos 1990, a era de ouro da posição. Destacou-se primeiro na Roma, onde assumiu a braçadeira de capitão e conquistou o Campeonato Italiano, mas encontrou o estrelato no lendário Milan do técnico Arrigo Sacchi.

Naquele esquadrão rossonero, que faturou o bicampeonato europeu (1989 e 1990), o então “Carletto” não era apenas uma engrenagem no meio-campo; ele já era o cérebro tático do treinador dentro das quatro linhas. Foi uma experiência brutalmente interrompida por lesões crônicas no joelho, que forçaram sua aposentadoria em 1992, pouco antes daquele mesmo Milan cruzar o oceano para enfrentar o histórico São Paulo de Telê Santana. Longe dos gramados, a transição foi imediata. A visão panorâmica que ele exibia com a bola nos pés rapidamente encontrou um novo lar: a prancheta de auxiliar de seu mentor, Arrigo Sacchi, na seleção italiana.

O caminho do italiano cruzaria com o Brasil mais uma vez: na Copa de 94, foi testemunha do pênalti perdido por Roberto Baggio, que sagrou o Brasil tetracampeão do mundo.

Em seus primeiros anos como treinador, passou pelos italianos Reggiana, Parma e Juventus. Ele percebeu rapidamente que o futebol, antes de ser um xadrez de esquemas rígidos, é um esporte feito por pessoas. Tornou-se uma figura comumente descrita por seus jogadores como paternal: cria esquemas que servem ao talento.

Perfil que traz boas lembranças ao torcedor brasileiro, o último título mundial, conquistado em 2002, foi trazido pela “Família Scolari”, grupo criado por Luiz Felipe Scolari, o Felipão.

Se a Juventus do fim dos anos 1990 ainda o via com desconfiança, foi no Milan dos anos 2000 que o mundo testemunhou a maturidade de sua filosofia. Lá, ele acolheu e potencializou craques como Kaká, Cafu, Pirlo e Seedorf, ganhando duas Ligas dos Campeões. Rodou o continente e se tornou o único treinador a vencer as cinco grandes ligas da Europa (Itália, Inglaterra, França, Alemanha e Espanha), uma epopeia que atingiu o ápice em suas passagens pelo Real Madrid. No clube espanhol ganhou três Ligas dos Campeões, que, somadas às duas no Milan e outras duas como jogador também do time italiano, o consolidaram como um dos maiores vencedores do torneio.

Foi justamente no Real Madrid multicampeão que o italiano formou a base do seu atual projeto. Ao lapidar talentos como Vinícius Júnior, Rodrygo e Éder Militão — os dois últimos ausentes da Copa por lesão —, assumiu a figura de um mentor que entende a essência e a alegria do jogador brasileiro.

Agora, com contrato renovado por mais quatro anos, o “mister” tem a missão final de sua brilhante carreira: provar que a mistura do seu pragmatismo europeu com o talento sul-americano, temperada a churrasco e ao Hino Nacional, é a receita exata para devolver o Brasil ao topo do mundo em 2026 e, por que não, buscar o hepta em 2030.