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Mudanças

São Bento 2027

Entre rebaixamentos e crise financeira, São Bento vive momento crítico e vê articulações políticas ganharem força para que eleições de outubro sejam antecipadas

06 de Maio de 2026 às 21:00
Marcelo Macaus [email protected]
Pressão interna cresce, três blocos se organizam e futuro administrativo do Bentão entra em disputa antecipada
Pressão interna cresce, três blocos se organizam e futuro administrativo do Bentão entra em disputa antecipada (Crédito: FÁBIO ROGÉRIO)

A crise institucional e esportiva vivida pelo São Bento ganhou novos contornos e pode provocar uma mudança significativa no calendário político do clube. Embora o estatuto preveja eleições para a diretoria executiva apenas em outubro, um grupo de conselheiros já se articula para antecipar o pleito ainda para o primeiro semestre, em meio a um cenário considerado crítico dentro e fora de campo.

A movimentação ocorre após uma sequência de episódios que agravaram a instabilidade do Bentão em 2026. Somente neste ano, o clube foi rebaixado à Série A3 do Campeonato Paulista, viu o então presidente Almir Laurindo se afastar do cargo e, mais recentemente, anunciou que não disputará a Copa Paulista por falta de recursos financeiros. O conjunto de fatores escancara uma situação considerada caótica nos bastidores.

Diante desse contexto, ao menos três grupos já se organizam visando a disputa eleitoral, seja ela mantida para outubro ou antecipada. O primeiro a se manifestar publicamente foi o movimento denominado “Retomada do DNA Vencedor”, que reúne lideranças políticas, empresariais e figuras influentes da cidade. Capitaneado pelo vice-prefeito de Sorocaba e ex-presidente do clube, Fernando Martins, o grupo defende uma mobilização ampla para reerguer o São Bento.

A proposta tem como pilares o resgate da identidade do clube, o engajamento da sociedade — de pequenos comerciantes a grandes industriais — e a formação de uma força-tarefa para recolocar o Bentão no caminho das vitórias. O discurso se ancora no histórico de gestão de Fernando Martins, que acumulou acessos em sua passagem anterior pelo clube.

Outro bloco que se articula é o da situação. Atualmente sob a presidência do empresário Florísio Viana, o grupo trabalha nos bastidores para lançar uma chapa encabeçada pelo diretor de futebol Roni Zinkoski. A intenção é dar continuidade à atual gestão, mesmo diante das críticas crescentes em relação aos resultados esportivos e à condução administrativa.

Já um terceiro grupo começa a ganhar corpo entre conselheiros insatisfeitos com o cenário atual. Ainda sem nomes oficialmente definidos, esse bloco representa uma ala mais crítica, que vê na possível antecipação das eleições uma oportunidade de ruptura com o modelo vigente.

A tentativa de antecipar o pleito, no entanto, não é consenso e deve provocar debates intensos dentro do Conselho Deliberativo. A medida exigiria respaldo jurídico e político, além de alinhamento interno, algo que, neste momento, parece distante diante da fragmentação de forças.

Enquanto isso, o torcedor acompanha com apreensão um dos períodos mais delicados da história recente do clube sorocabano. Entre dívidas, ausência de calendário competitivo no segundo semestre e indefinições administrativas, o futuro do São Bento dependerá diretamente das decisões que serão tomadas nos próximos meses.

Mais do que uma simples eleição, o processo que se desenha pode definir os rumos de reconstrução — ou aprofundamento da crise — de uma das instituições esportivas mais tradicionais do interior paulista.