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Patinação

Espaço de superação e comunidade

Projeto Patinandinho, idealizado por casal de noivos, oferece aulas gratuitas de patinação para jovens e adultos e já reuniu cerca de 50 participantes

25 de Abril de 2026 às 21:01
Murilo Aguiar [email protected]
Criada em 2025, iniciativa independente utiliza quadra pública na zona oeste e aposta na formação técnica, na segurança e no fortalecimento de vínculos
Criada em 2025, iniciativa independente utiliza quadra pública na zona oeste e aposta na formação técnica, na segurança e no fortalecimento de vínculos (Crédito: DIVULGAÇÃO)

O som das rodas deslizando pelo piso da quadra anuncia mais do que uma aula de patinação. Em Sorocaba, o projeto social Patinandinho se consolidou como um espaço de convivência, aprendizado e transformação pessoal para jovens e adultos que encontraram no esporte uma forma de retomar sonhos, vencer medos e construir novas relações.

Idealizada pelo casal de noivos Mônica Lima, professora de educação infantil, e Guilherme Magalhães, designer e instrutor de patinação, a iniciativa nasceu da união de uma paixão em comum com a constatação da falta de espaços adequados para a prática na cidade.

O projeto foi oficialmente lançado em agosto de 2025, mas começou a tomar forma meses antes, quando Mônica buscou junto ao poder público autorização para utilizar a quadra coberta de uma escola municipal na zona oeste. A proposta foi apresentada por escrito à Prefeitura de Sorocaba e aprovada, garantindo o uso do espaço duas vezes por semana.

“Eu pedi essa quadra porque ela é coberta e Sorocaba praticamente não tem espaços para patinadores. A cidade é muito carente nesse sentido”, explica Mônica. Ela acrescenta que o Patinandinho é um projeto independente, sem vínculo institucional com a unidade escolar. “A escola apenas cede o espaço público. O projeto é nosso, construído do zero, com muito esforço e organização.”

Público e metodologia

Voltado exclusivamente para jovens e adultos, o projeto optou por não atender crianças, decisão tomada por responsabilidade pedagógica e de segurança. “Criança exige um cuidado diferente, uma metodologia específica. Aqui trabalhamos com conceitos, fundamentos e progressão técnica. Não é patinação livre”, afirma Mônica. Filhos dos participantes acompanham as aulas apenas como espectadores, sempre sob supervisão.

A história do Patinandinho também se confunde com a trajetória do casal. Mônica e Guilherme se conheceram por meio da patinação, quando ele ainda morava no Rio de Janeiro. Lá, Guilherme já atuava como instrutor e integrava grandes grupos de patinação urbana. “Eu patino desde 1994 e já dava aulas no Rio. Quando cheguei a Sorocaba, senti falta de grupos estruturados e de um espaço onde as pessoas pudessem aprender de verdade”, conta.

Ainda segundo ele, os grupos existentes eram fragmentados e sem regularidade. “Queríamos criar algo que fosse além de encontros ocasionais. A ideia era formar patinadores e construir um senso de comunidade.”

O que começou com a expectativa de reunir poucas pessoas surpreendeu logo nas primeiras aulas. “No primeiro dia apareceram dez pessoas. Já tivemos encontros com 40 patinadores na quadra”, relembra Guilherme. Ao todo, cerca de 50 pessoas já passaram pelo projeto, com frequência variável.

As aulas são organizadas por níveis. Enquanto Guilherme orienta alunos intermediários e avançados, Mônica se dedica aos iniciantes. “Fico com quem nunca colocou um patins no pé. Começamos do zero: equilíbrio, postura e segurança. Quando evolui, o aluno segue para a outra turma”, explica.

Estrutura e responsabilidade

O Patinandinho é voluntário e gratuito, mas exige compromisso dos participantes. É obrigatório o uso de capacete e equipamentos de proteção, além da assinatura de termo de responsabilidade.

Com o aumento da procura, surgiu a necessidade de ampliar o acesso aos equipamentos e uma taxa social acessível. “Muita gente tinha patins, mas não possuía capacete ou kit de proteção. Decidimos investir e alugar os equipamentos por um valor simbólico, apenas para manter o projeto”, relata Mônica. Cones, acessórios e demais materiais foram adquiridos pelo casal.

“Chegamos a um momento em que a procura está muito grande e manter o projeto sem verba se tornou difícil. As vagas gratuitas continuarão existindo, porém serão limitadas, e os demais participantes contribuirão com uma taxa social acessível, que nos ajudará a sustentar o projeto”, explica ela.

Mais do que esporte

Para os alunos, o projeto representa mais do que atividade física. Luiz Fernando Dias, 51 anos, auxiliar de farmácia, começou sem qualquer experiência. “Nunca tinha patinado. No início é difícil até ficar em pé, mas com orientação tudo muda. Hoje virou paixão”, conta. Ele destaca a importância do acompanhamento presencial. “Vídeo ajuda, mas ter alguém orientando faz toda a diferença.”

Glória de Mattos, 36, auxiliar de educação, encontrou no projeto a chance de resgatar um sonho antigo. “Eu patinava na infância e fiquei mais de 20 anos parada. Voltar foi como reencontrar a menina que eu era”, afirma. O retorno ao esporte despertou novos objetivos. “Hoje quero treinar para competir. Eles me fizeram acreditar que sou capaz.”

Segundo Guilherme, esse impacto emocional é o maior retorno da iniciativa. “Já tivemos aluno ligando emocionado porque conseguiu ir patinando até o mercado. Isso não tem preço. Não é só esporte, é liberdade”, diz. O projeto também trabalha a patinação urbana, preparando os participantes para circular pela cidade com consciência e segurança.

Planos para 2026

Com a renovação da autorização junto à prefeitura, o casal pretende ampliar as atividades neste ano, incluindo novos dias de aula e possíveis parcerias técnicas. “A meta é entregar para Sorocaba patinadores preparados, que respeitem a rua e tenham autonomia”, afirma Guilherme. “Mas, acima de tudo, queremos entregar confiança e pertencimento.”

Para Mônica, o Patinandinho comprova que iniciativas simples podem gerar grandes transformações. “A gente começou só querendo patinar e fazer amigos. Hoje, virou uma família”, resume. Para mais informações: (15) 99761-3514.