Luto no esporte
Adeus a Luizinho Rangel, volante que sustentava o jogo longe dos holofotes
As linhas do esporte costumam contar, ainda que de forma torta, algumas histórias. Se os grandes craques são alçados à condição de ídolos quase mitológicos, ganham estátuas e passam a integrar o imaginário coletivo, muitos outros profissionais, igualmente brilhantes, acabam esquecidos nas frias fichas técnicas e apenas vivos no coração dos torcedores e amigos que deixaram pelo caminho.
Luiz Ronaldo Nunes Rangel era um desses nomes. Conhecido como Luizinho Rangel, percorreu o futebol em um silêncio produtivo, deixando marcas mais profundas do que vistosas. Vestia a camisa 5 como um volante clássico.
Nascido em Niterói, Rio de Janeiro, em 1956, Luizinho encontrou no futebol um caminho de permanência. Como volante, defendeu o Botafogo por vários anos. Quem atuou ao seu lado recorda um jogador que raramente errava o posicionamento e jamais abandonava sua função.
Depois, passou por Santa Cruz, Americano e Volta Redonda, além de uma experiência no futebol dos Estados Unidos, atuando pelo Los Angeles Aztecs. Em 1984, se transferiu para o Fortaleza e ainda encerrou a carreira em Portugal, defendendo Vianense e Gouveia.
Após pendurar as chuteiras, Luizinho não se afastou dos gramados. Pelo contrário, se aproximou ainda mais deles. Trabalhou na formação de atletas e integrou comissões técnicas em diferentes clubes, com passagens pelas categorias de base do Botafogo e do Vasco.
Foi, no entanto, na parceria com Paulo Roberto Santos que encontrou seu lugar mais duradouro. No São Bento, em Sorocaba, essa relação se consolidou. Entre 2014 e 2023, Luizinho exerceu diversas funções, do banco de reservas à coordenação técnica, participando diretamente de momentos importantes do clube, como acessos em competições nacionais e campanhas marcantes no cenário paulista. No capítulo mais significativo da história recente do São Bento — o acesso à Série B, em 2017 — estavam Luizinho e Paulo Roberto, lado a lado, como sempre.
Luizinho ainda assumiu o comando técnico da equipe em 11 oportunidades, somando seis vitórias, dois empates e três derrotas, com um aproveitamento próximo dos 60%. O São Bento lamentou a morte “de um dos maiores nomes do clube neste século”. Já o Botafogo o definiu como “um símbolo da devoção alvinegra”.
Luizinho Rangel morreu na sexta-feira (17), aos 69 anos. Sua partida não encerra apenas uma trajetória individual, mas silencia uma dessas presenças que sustentam o futebol por dentro, longe das câmeras, mas indispensáveis ao jogo. Foi embora uma peça essencial, daquelas que mantêm toda a engrenagem em funcionamento. Sem destaque. Sem holofotes.