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Ídolo

Legado eterno

Morte de Oscar Schmidt provoca comoção em Sorocaba e mobiliza homenagens de atletas e treinadores

17 de Abril de 2026 às 21:51
Murilo Aguiar [email protected]
Ídolo do basquete brasileiro, o
Ídolo do basquete brasileiro, o "Mão Santa" deixa marcas profundas dentro e fora das quadras (Crédito: MARIE HIPPERNMEYER / AFP)

A morte de Oscar Schmidt, aos 68 anos, ontem (17), em São Paulo, repercutiu com pesar entre nomes ligados ao basquete em Sorocaba. Ídolo de gerações e referência técnica e mental dentro das quadras, o “Mão Santa” deixa um legado que atravessa o esporte brasileiro e influencia diretamente atletas e treinadores.

Técnico da Liga Sorocabana de Basquete (LSB), Rinaldo Rodrigues definiu o ex-jogador como sua maior inspiração. “Meu ídolo, marquei ele seis vezes. Uma perda irreparável. Oscar não foi apenas um atleta. Foi a definição de determinação, sacrifício e amor pelo basquete”, comenta. Ele relembrou confrontos diretos, incluindo uma partida em 1997, no Ginásio Municipal de Esportes Dr. Gualberto Moreira, quando enfrentou o Bandeirantes diante de um ginásio lotado.

O treinador também destacou a mentalidade competitiva do ídolo. “O legado que ele deixa é eterno. Foi eternizado não só pelos pontos, mas pela mentalidade: treinar, repetir, buscar a perfeição todos os dias. Faltam palavras, mas fica o ensinamento: o caminho é o trabalho, a disciplina e nunca se contentar.”

Entre as lembranças, Rinaldo citou episódios marcantes em quadra, como o desafio de conter o craque em um confronto no interior paulista. “Minha obrigação era não deixar ele fazer ponto em dez minutos. Conseguimos segurar, mas ele terminou o jogo com 33 pontos”, recorda, em tom de admiração.

A ex-jogadora Vânia Hernandes, que integrou a seleção brasileira nas décadas de 1980 e 1990 ao lado da irmã Vanira, também lamentou a perda. Hoje morando em Votorantim, ela destacou a convivência próxima com o atleta. “É muito triste porque nós somos a geração do Oscar. Ele fez parte da nossa vida esportiva. Treinávamos juntos, convivíamos em competições e viagens com a seleção”, diz.

Vânia relembrou ainda um registro histórico ao lado do ex-jogador durante os Jogos Pan-Americanos de Indianápolis, em 1987, quando o Brasil conquistou o ouro. “Quando contamos nossa história, mostramos essa foto. É uma lembrança que nunca vai se apagar.”

Para ela, a perda atinge diretamente o basquete nacional. “São perdas irreparáveis para o esporte brasileiro. O Oscar foi inspiração para muitos da nossa geração e continua sendo para os mais jovens. Ele era um atleta acima da média, não é à toa que está no Hall da Fama.”

Vânia também ressaltou a trajetória de superação do ex-jogador, que enfrentou um câncer no cérebro por mais de uma década. “Ele foi um guerreiro. Independentemente de tudo, é uma perda irreparável.”

O técnico do Sorocaba Basquete, João Henrique Ribeiro, destacou a filosofia construída por Oscar ao longo da carreira. “Ele dizia que não tinha uma ‘mão santa’, mas sim uma mão treinada”, conta. Para ele, a frase resume a essência do ídolo: “Ninguém conquista nada na quadra sem treino”.

A ex-jogadora Hortência Marcari, um dos maiores nomes da modalidade no País, também ressaltou o impacto do atleta. Ela destacou o patriotismo do ex-jogador — evidenciado na decisão de priorizar a seleção brasileira — e o legado duradouro deixado ao esporte. “Tenho muito orgulho de ter sido amiga dele”, diz. Hortência relembrou ainda momentos marcantes da carreira do ídolo, que acompanhou de perto.

Oscar Schmidt morreu após passar mal em casa, em Alphaville, e ser levado ao Hospital Municipal Santa Ana, em Santana de Parnaíba. A morte foi confirmada pela família horas depois. Ele deixa a esposa, Maria Cristina, e os filhos Felipe e Stephanie. O velório será restrito.

Considerado um dos maiores nomes da história do basquete mundial, Oscar acumulou títulos, recordes e reconhecimento internacional, incluindo sua entrada no Hall da Fama da NBA, espaço reservado a atletas que marcaram o esporte.