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São Bento

Adeus ao artilheiro

Joel de Souza Martins constrói uma trajetória histórica no São Bento, com números impressionantes e uma conexão inesquecível com a torcida

31 de Março de 2026 às 21:34
Murilo Aguiar [email protected]
Com média superior a um gol por jogo, atleta eterniza nome como
o maior goleador da história do Bentão
Com média superior a um gol por jogo, atleta eterniza nome como o maior goleador da história do Bentão (Crédito: ARQUIVO JCS)

A história de um dos maiores artilheiros do São Bento chegou ao fim recentemente. Joel de Souza Martins morreu em 16 de março, aos 95 anos, deixando um legado marcante, sobretudo com a camisa do clube sorocabano, onde se tornou referência em eficiência ofensiva e protagonismo.

Contratado em novembro de 1955, após passagem pelo Fluminense, Joel rapidamente se adaptou ao São Bento. Inicialmente atuando como ponta-esquerda, foi reposicionado ao longo do tempo e se consolidou como meia-direita, função na qual alcançou números expressivos. Dono de um chute potente e apurado faro de gol, se destacou desde as primeiras partidas, acumulando atuações decisivas.

Os números ajudam a dimensionar sua importância. Em jogos oficiais, marcou 69 gols em 59 partidas, alcançando média superior a um gol por jogo. Considerando também os amistosos, foram 124 gols em 124 partidas, marca que o coloca como o maior artilheiro da história do clube no total geral. No Estádio Humberto Reale, atual centro de treinamento do São Bento, Joel também deixou sua marca, com 82 gols anotados.

Um dos episódios mais emblemáticos de sua trajetória se deu em 13 de janeiro de 1957, quando marcou sete gols na vitória por 8 a 0 sobre o Catanduva, uma façanha rara no futebol. “Em partidas oficiais, foram poucos os jogadores na história que conseguiram algo parecido”, conta o historiador do São Bento, Guilherme Feliciano. Segundo ele, o atacante construiu uma relação única com a torcida: “Gol a gol, foi se tornando um dos principais artilheiros da história do São Bento”.

Guilherme Feliciano também ressalta o impacto duradouro do jogador. “Se somarmos os amistosos, Joel lidera com 124 gols em 124 partidas. Ou seja, ninguém na história do São Bento fez a torcida gritar mais ‘gol’ do que Joel”, destaca. O historiador ainda enfatiza o reconhecimento ao ídolo.: “A Joel, nossa gratidão. Descanse em paz.”

Joel deixou o clube em 1959 e encerrou a carreira profissional pouco tempo depois. Antes disso, porém, já havia construído uma trajetória relevante no Fluminense, onde foi formado e integrou a equipe campeã carioca de 1951. Na campanha do título, marcou sete gols e fez parte de uma linha ofensiva considerada histórica, ao lado de nomes como Telê [Telê Santana] e Didi.

Ainda pelo clube carioca, participou do elenco campeão da Copa Rio de 1952 e protagonizou um momento marcante ao balançar as redes em um amistoso contra o Arsenal, da Inglaterra, no Maracanã. Após encerrar a carreira, manteve vínculo com o Fluminense, trabalhando no centro de treinamento de Xerém e sendo reconhecido por sua contribuição também fora de campo.

A morte de Joel motivou diversas homenagens, incluindo um minuto de silêncio no Maracanã antes da partida entre Fluminense e Atlético-MG. No entanto, é em Sorocaba que sua memória permanece ainda mais viva como um dos maiores goleadores e ídolos da história do São Bento.

 

 

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