Explicação
Presidente do São Bento tenta justificar o fracasso
Lanterna da Série A2 do Campeonato Paulista, sem pontos após sete rodadas e com apenas um gol marcado, o São Bento atravessa um dos momentos mais delicados de sua história recente. Em entrevista à Rádio Cruzeiro FM 92,3, na manhã de ontem (4), o presidente Almir Laurindo detalhou como decisões e circunstâncias fora de campo, ainda no fim de 2025, impactaram diretamente a montagem do elenco e, na avaliação dele, ajudam a explicar o desempenho atual.
Segundo o dirigente, o período em que o clube discutia a possibilidade de se transformar em SAF gerou incerteza sobre quem conduziria o futebol. Essa indefinição, afirmou, atrasou o planejamento e dificultou a manutenção de atletas que estavam nos planos da diretoria. “A gente não sabia se seria a SAF que montaria o time ou se seríamos nós. Isso atrapalhou o processo”, atesta.
Almir relatou que, diante desse cenário, o São Bento acabou formando o elenco já próximo do início do campeonato, com orçamento reduzido e após perder jogadores que receberam propostas de outros clubes. A expectativa, segundo ele, era de uma campanha difícil, mas não no nível apresentado até agora. “Esperávamos brigar no meio da tabela, não sofrer dessa forma”, lamenta.
Lesões e rendimento em campo
O presidente do São Bento também apontou a sequência de lesões como um fator que impediu a consolidação de uma formação titular. De acordo com ele, o clube chegou a ter seis atletas no departamento médico, entre eles jogadores considerados titulares. “Quando o time começava a encaixar, perdia peças importantes”, conta.
Para Almir, o que foi treinado no dia a dia não tem se refletido nas partidas. Ele disse que acompanha a rotina no centro de treinamento e que a comissão técnica vinha cobrando, por exemplo, atenção nos minutos iniciais dos jogos — período em que o São Bento tem sofrido gols. “São erros técnicos que acabam pesando”, avalia.
Mudanças no comando técnico
Ao comentar a troca de treinadores — a terceira em pouco mais de duas semanas —, o presidente do São Bento afirmou que a medida busca provocar uma reação imediata no elenco. “A gente não pode trocar jogador agora. Então, precisa mexer na comissão técnica para tentar dar um choque”, explica.
Por outro lado, ele reconheceu que os resultados ficaram muito abaixo do esperado e que a equipe não conseguiu apresentar um desempenho consistente. “É uma decepção muito grande para quem está trabalhando no dia a dia.”
Apoio financeiro e SAF
Durante a entrevista, Almir Laurindo confirmou que o São Bento tem recebido apoio financeiro de um grupo ligado ao executivo Rodrigo Pastana, que estuda apresentar uma proposta de SAF. Segundo ele, o aporte tem sido fundamental para o cumprimento de compromissos e para a manutenção da operação do futebol.
Ele detalhou os custos de uma partida, estimados em cerca de R$ 20 mil, tanto em jogos em casa quanto fora, e afirmou que, sem investimento externo, a conta não fecha. “Hoje, sem investimento, é muito difícil manter um clube competitivo em qualquer divisão.”
Pedido de união
Almir também fez um apelo à torcida e destacou que a diretoria tem buscado dar suporte emocional aos atletas. Ele reconheceu as vaias e cobranças, mas defendeu que, durante os jogos, o apoio pode ser decisivo. “O torcedor tem razão de cobrar, mas, nesse momento, a gente precisa de união”, declara.
Com a equipe ainda sem pontuar, o dirigente disse tratar os jogos restantes como um “novo campeonato” e afirmou que a prioridade é recuperar o ambiente interno para tentar reagir na tabela, enquanto o clube discute alternativas para o futuro administrativo e financeiro.