Centenário
55 mil correndo...
São Silvestre completam 100 anos sob domínio africano e esperança brasileira
A São Silvestre celebra o seu centenário hoje (31), quando 55 mil atletas (número recorde), entre profissionais e amadores, vão às ruas da capital paulista para percorrer o trajeto de 15 quilômetros da mais importante corrida de rua da América Latina. Haverá transmissão pela TV a partir das 7h30.
Tão tradicional quanto popular, a São Silvestre teve as inscrições encerradas em tempo recorde — seis horas — no dia em que foram abertas as 50 mil vagas em setembro. Houve relatos de lentidão nas filas virtuais e instabilidade da plataforma de vendas, o que motivou queixas dos que não conseguiram um lugar entre os que vão correr a centésima edição, sobretudo daqueles que participam do evento todo ano. A inscrição mais econômica, que dava direito ao kit básico, custava R$ 319,90.
“O processo todo foi muito desorganizado. Fiquei horas na fila e não consegui me inscrever. Corri todas as últimas cinco edições e esperava participar da centésima. Não entendi o que fizeram neste ano”, queixou-se a manicure e corredora amadora Priscila Leite. Pressionada, a organização abriu um lote extra de 5 mil vagas que foram sorteadas e se desculpou pelos “inconvenientes gerados”.
O grande interesse em participar da que é considerada a mais icônica edição da São Silvestre reforça o tamanho e alcance que ganharam a prova, consolidada como a maior corrida de rua da América Latina.
O interesse cresceu pelo simbolismo da edição comemorativa e pela premiação histórica de R$ 295 mil — os campeões faturam R$ 62.600 cada.
Uma das corredoras é a baiana Núbia Oliveira, de 23 anos. Ela acelerou na reta final e conquistou o terceiro lugar no ano passado. A atleta tem sido convocada para a seleção brasileira e acumulou bons resultados em 2024. O resultado na última edição garantiu mais apoio e parcerias a Núbia, que integra o programa de alto rendimento do Exército.
A baiana é uma das apostas do Brasil para derrubar o jejum de 19 anos sem vitória de uma atleta do País. Desde a conquista de Lucélia Peres, em 2006, uma brasileira não cruza a linha de chegada em primeiro.
Núbia melhorou as suas marcas em todas as distâncias, de 5 a 21 km, em 2025. “Tive uma excelente temporada. Evoluí muito e aprimorei algumas coisas neste ano”, diz a atleta. Ela manteve os métodos de treinamento, mas adicionou um período de treinos na Colômbia, em altitude, ao lado do treinador. “Isso vai ser fundamental para mim na São Silvestre.”
O Estado de São Paulo concentra a maioria dos participantes: são 30.362 atletas, o equivalente a 55% do total de inscritos. Na sequência aparecem Rio de Janeiro (3.064), Minas Gerais (2.590) e Paraná (2.571). Por regiões, o Sudeste lidera com 36.661 corredores, seguido pelo Sul (4.712). Centro-Oeste (2.770) e Nordeste (2.698) vêm logo depois, enquanto o Norte soma 1.533 inscritos.
São esperados cerca de 4.600 atletas estrangeiros, de aproximadamente 44 países. Estão inscritos corredores da Áustria, Alemanha, África do Sul, Colômbia, Espanha e Estados Unidos.
Os quenianos seguem hegemônicos. O país africano ganhou as últimas oito edições da prova feminina e três das últimas cinco entre os homens. (Estadão Conteúdo)