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Perto da decisão

Nas mãos dos sócios

Assembleia geral do São Bento, agendada para amanhã, define autorização para negociações sobre SAF

13 de Novembro de 2025 às 21:21
Marcelo Macaus [email protected]
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. (Crédito: ARTE: VITOR MORETTI / JCS)

O São Bento promove amanhã (15) uma assembleia geral de sócios que pode marcar um novo capítulo na história do clube. O encontro tem como principal pauta a autorização para que a diretoria executiva dê andamento às tratativas de transformação do Bentão em uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF).

De acordo com o edital de convocação, 274 sócios estão aptos a votar. A assembleia seguirá o seguinte rito: primeira chamada às 9h30, exigindo a presença mínima de dois terços dos associados com direito a voto; segunda chamada às 10h, com quórum reduzido para um terço; terceira chamada às 10h15, podendo ser realizada com qualquer número de associados presentes.

A mesa diretora da assembleia será escolhida no próprio dia, antes do início das deliberações. Após a instalação, será iniciada a votação de quatro itens constantes no edital de convocação. A expectativa é de que cada ponto seja apreciado separadamente, embora a definição final sobre o formato de votação dependa da decisão da mesa durante a sessão. Por esse motivo, não há como prever uma cronologia exata para a votação, que deve se estender conforme o andamento dos debates e a escolha dos sócios.

A decisão sobre a SAF é considerada estratégica para o futuro do São Bento, que busca alternativas para se reestruturar financeiramente e modernizar sua gestão, em linha com a tendência de outros clubes brasileiros que já adotaram o modelo societário.

Conselho Fiscal

Uma das etapas obrigatórias para a análise e possível aprovação da SAF é o parecer do Conselho Fiscal. Até o início da noite de ontem (13), o relatório não havia sido entregue ao Conselho Deliberativo, disse o presidente Wilson Vieira. Ainda segundo ele, o documento é aguardado até momentos antes do início da assembleia, que não será adiada.

Já o presidente do Conselho Fiscal, Vinícius Rostelato, foi contatado pelo Cruzeiro do Sul, por WhatsApp e telefone, para comentar sobre o motivo do parecer ainda não ter sido entregue. No entanto, não respondeu as mensagens e nem atendeu as ligações.

Como seria a SAF?

A proposta que será apresentada aos sócios define uma estrutura em que o grupo investidor passaria a deter 90% das ações da futura SAF, ficando responsável pela administração do futebol profissional e pela execução de aportes financeiros ao longo do contrato. O São Bento manteria os 10% restantes, com direito a assentos no Conselho Administrativo e no Conselho Fiscal, garantindo, assim, uma participação direta nas decisões estratégicas.

O acordo também prevê mecanismos de proteção em caso de descumprimento das obrigações financeiras. Se os aportes não forem realizados conforme o cronograma estabelecido, o investidor deverá devolver proporcionalmente parte das ações ao clube. Além disso, a SAF assumiria passivos estimados em cerca de R$ 11 milhões, valor correspondente às dívidas acumuladas até o momento da formalização do contrato.

Para assegurar que a identidade e a tradição do São Bento sejam preservadas, o documento inclui uma série de salvaguardas institucionais. Entre elas, está a manutenção do nome, escudo, cores, hino e sede em Sorocaba, elementos considerados inegociáveis pela proposta. O Complexo Humberto Reale, local histórico que abriga o centro de treinamento e a estrutura administrativa do clube, ficaria fora da negociação e permaneceria sob posse integral do São Bento.

Outro ponto relevante é a limitação do endividamento de curto prazo: a SAF não poderá contrair compromissos financeiros que ultrapassem 50% das receitas do exercício anterior, o que busca garantir sustentabilidade econômica e controle orçamentário. A proposta também prevê contrapartidas diretas ao clube, como a cedência de até 400 ingressos por partida para programas de relacionamento com associados, e o repasse mensal de valores fixos corrigidos pelo IPCA, que serviriam como fonte de receita institucional: R$ 15 mil por mês em 2026; R$ 10 mil mensais entre 2027 e 2029; e R$ 5 mil mensais de 2030 a 2035.

Com esse formato, a SAF do São Bento manteria o clube como guardião de sua história e símbolos, ao mesmo tempo em que transferiria a gestão esportiva e financeira para o investidor, responsável por reestruturar o futebol e buscar competitividade no cenário nacional.

Os interessados

O grupo responsável pela proposta é o Convocados, formado pelo economista Cesar Grafietti, pelo ex-jogador Roque Júnior e pelo empresário Rodolfo Kussarev, profissionais com trajetória ligada à gestão esportiva e ao mercado financeiro. (Colaboração: Thaís Marcolino)