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Vôlei

O renascer de uma paixão

Depois de 28 anos, Renasce Sorocaba faz história e reacende lembranças da era Leites Nestlé nas arquibancadas do Sesi

07 de Novembro de 2025 às 21:39
Thaís Marcolino [email protected]
No reencontro com a Superliga Feminina, mais de 450 torcedores lotaram o ginásio: derrota para Barueri
No reencontro com a Superliga Feminina, mais de 450 torcedores lotaram o ginásio: derrota para Barueri (Crédito: KAMILA FRANÇA / RENASCE SOROCABA)


O nome do time mudou, a quadra também, as jogadoras são outras, mas há algo que segue intacto para quem está na arquibancada: a emoção de ver o time da cidade em uma disputa da elite nacional, contra equipes e atletas de renome. Depois de 28 anos, o Renasce Sorocaba disputa novamente a Superliga Feminina de Vôlei, principal competição da modalidade no País. E, no primeiro jogo em casa, mais de 450 torcedores — parte que já conhece bem esse sentimento e parte que o vivenciava pela primeira vez — se uniram para empurrar a equipe em mais um desafio no torneio.

Na noite de quinta-feira (6), o ginásio do Sesi ficou lotado para acompanhar o jogo contra o Barueri, pela quarta rodada da Superliga. Entre os torcedores, estava a empresária Maria Cristina Hataba, 69 anos, moradora de Salto de Pirapora. Os 22 quilômetros de distância entre sua cidade e a casa do Renasce não são obstáculo quando o objetivo é reviver a emoção de ver, pela segunda vez, um jogo da elite do esporte que tanto ama.

“É um privilégio muito grande viver isso novamente, porque eu e a família toda amamos vôlei. Estamos muito felizes. E fazia muito tempo que não tinha, né?”, conta Maria Cristina, que acompanhava a partida ao lado do marido, Wilson, e do neto Ricardo.

O último jogo de um time da elite do voleibol em Sorocaba foi em 1997, quando o Leites Nestlé representava a cidade. A equipe foi uma potência do esporte brasileiro, com nomes como Fernanda Venturini, Isa, Ana Paula e Ana Moser. Em 1994, conquistou o título mundial, além de ser tricampeã sul-americana, tricampeã da Superliga e tricampeã estadual. Em 1998, o time passou a representar Jundiaí até sua extinção, dois anos depois.

Maria Cristina lembra bem daquela época de ouro e guarda boas recordações. “Era um time campeão, que só dava alegria. E ver o jogo aqui até parece que estou vendo a Ana Moser, a Ana Paula... É muito emocionante poder vivenciar algo assim de novo”, relembra. “Estamos muito orgulhosos do que está acontecendo com o vôlei em Sorocaba. Minha torcida é para que venham ainda mais conquistas.”

Se de um lado da quadra havia torcedores que viveram a era dos títulos, do outro estava quem começa agora a sonhar com novas histórias. Gabriel Errador Fernandes, 13, é um desses novos fãs. Ele começou a acompanhar o vôlei pela televisão e, desde que o Renasce iniciou sua trajetória, há quatro anos, tenta assistir às partidas no ginásio. “É muito legal vir aqui, porque um time pequeno e com tão pouco tempo conseguiu conquistar tanta coisa e chegar tão alto”, diz. “Tudo isso mexe comigo. É difícil não gritar, não torcer. Eu amo vôlei.”

Dessa vez, Gabriel foi ao jogo acompanhado da tia, Bianca Errador Dalcol, 39, que também compartilha a paixão pelo esporte. Diferente do sobrinho, ela tem lembranças do Leites Nestlé nos anos 1990, mesmo ainda criança na época. “Lembro da torcida animada, das filas enormes na frente do Ginásio Dr. Gualberto Moreira. Dava cansaço, mas, quando o jogo começava, valia muito a pena. Era jogão atrás de jogão”, recorda.

“Hoje é diferente, mas o sentimento é o mesmo. É muito bom ver Sorocaba com um time que leva o nome da cidade adiante. Está tudo no começo, mas o futuro promete”, completa.

O projeto

O projeto Renasce Sorocaba foi fundado em 2021, com o nome escolhido justamente para simbolizar o renascimento da modalidade na cidade após o fim do Leites Nestlé. Em apenas quatro anos de projeto, o clube acumulou conquistas expressivas: campeão Paulista Adulto (1ª Divisão) 2022; campeão da Superliga C 2023; bicampeão Paulista Série Prata 2023/2024; tricampeão dos Jogos Regionais 2022/2023/2024 e tricampeão dos Jogos Abertos do Interior 2022/2023/2024.

Com a vaga na Superliga A, o Renasce Sorocaba não apenas recoloca a cidade no mapa do vôlei nacional, como também desperta antigas paixões e inspira uma nova geração de torcedores. (Thaís Marcolino)

 

Equipe toma virada em casa

Dentro de quadra, o sentimento das atletas e da comissão do Renasce era quase unânime: mostrar que o desempenho contra o Mackenzie não as representa enquanto equipe. E, ao longo de duas horas, a performance foi, realmente, bem diferente. Ainda assim, as atletas de Sorocaba não sabem o que é vencer na Superliga. É a quarta derrota em quatro. As parciais do jogo da noite de quinta-feira (6) foram 25x23, 23x25, 19x25 e 23x25.

Aproveitando o apoio da torcida, o Renasce começou bem, chegando a abrir sete pontos de vantagem. Contudo, no decorrer do set, o Barueri passou a explorar o centro de quadra e encostou no placar. Ainda assim, as donas da casa mantiveram a concentração e fecharam em 25 a 23.

O segundo set foi equilibrado, com o mesmo placar — 25 a 23 —, mas a favor das visitantes. O Barueri virou no quinto ponto e ampliou a vantagem, enquanto o Renasce pecou em alguns momentos de desatenção, o que facilitou o empate para a equipe gerida por José Roberto Guimarães, atual técnico da seleção brasileira feminina.

No terceiro set, o Renasce encontrou mais dificuldades. O time começou atrás no placar, chegou a reagir e a reduzir a diferença, mas não conseguiu a virada. O Barueri fechou a parcial em 25 a 19.

Precisando vencer o quarto set para forçar o tie-break, o Renasce voltou mais agressivo e chegou rapidamente aos dez primeiros pontos. No entanto, o Barueri se reencontrou em quadra e o set se tornou uma disputa ponto a ponto. No fim, as visitantes confirmaram a vitória com 25 a 23.

Mesmo com o resultado negativo, o técnico Clóvis Granado destacou a evolução da equipe. “Diferente de BH, hoje [quinta-feira] jogamos de igual para igual. O que ainda falta para esse time é experiência”, avalia.

A levantadora Laura Sertic, que fez sua estreia como titular no lugar da lesionada Istefani, também saiu de quadra confiante. “Estou orgulhosa do nosso time. Sabíamos que seria um jogo difícil, mas mostramos que estamos jogando à altura dessas equipes”, afirma.

Com o resultado, o Renasce segue na lanterna da tabela, ainda sem pontuar. O próximo compromisso será na quinta-feira (13), contra o Fluminense, às 18h30, no Rio de Janeiro. (T.M.)

 

 

 

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