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Superação e recordes

Após perder a perna direita em um acidente ferroviário na adolescência, Hetieli encontra no esporte um novo propósito

26 de Setembro de 2025 às 22:05
Thaís Marcolino [email protected]
Atleta de 30 anos hoje vive da modalidade e já é recordista brasileira na classe F64
Atleta de 30 anos hoje vive da modalidade e já é recordista brasileira na classe F64 (Crédito: DIVULGAÇÃO)

Um dos destaques do atletismo paralímpico do Estado de São Paulo tem nome: Hetieli Alvarenga dos Santos. A atleta, de 30 anos, moradora de Sorocaba, é especialista no lançamento de disco pela classe F64 e tem garantido medalhas ao longo de sua trajetória — mais de dez anos — no esporte. Agora, a competidora também tem se desafiado no halterofilismo, e o resultado, em sua primeira competição, já é grande: segundo lugar nos Jogos Paralímpicos do Estado (Paresp). O torneio, realizado neste mês na capital paulista, também rendeu o tricampeonato a Hetieli no lançamento de disco. O desempenho é celebrado pela paratleta. Ela conta que foi o esporte que lhe deu um novo motivo para seguir em frente após um acidente de trem, na adolescência, que a obrigou a amputar a perna direita.

O lançamento que garantiu o ouro no Paresp e o título de tricampeã foi de 21,3 metros. Antes, sua melhor marca era de 19 metros. “Venho batendo marcas importantes para o meu histórico esportivo, superando adversárias e o meu próprio recorde brasileiro duas vezes”, comenta. “Hoje me consagro recordista brasileira no lançamento de disco com a melhor marca na classe F64: 22,27 metros.”

Para alcançar tais feitos, Hetieli mantém uma rotina intensa de treinos físicos e acompanhamento psicológico, fundamentais para sustentar o alto nível competitivo. “O preparo mental é tão importante quanto o físico, porque a pressão de competir é grande. E o apoio da minha esposa, Michele Amorim, tem sido essencial para manter o foco e continuar evoluindo”, destaca.

Em 2025, ela ainda ampliou seu repertório esportivo ao estrear no halterofilismo, conquistando o segundo lugar logo em sua primeira participação no Paresp. A competição, para Hetieli, além de ser uma maneira de se desafiar — seja no lançamento de disco ou no levantamento de peso — é a chance de os atletas ganharem reconhecimento para, quem sabe, disputarem provas internacionais. Agora, o objetivo da moradora de Sorocaba é claro: disputar provas internacionais e, no futuro, garantir uma vaga em uma edição dos Jogos Paralímpicos. “Cada competição é um passo nessa direção”, comenta.

Esporte salva vidas

A frase, dita por muitos envolvidos na área esportiva, é mais do que real para Hetieli. Aos 14 anos, sobreviveu a um acidente ferroviário que resultou na amputação da perna direita. O período de recuperação foi marcado por desafios emocionais e pela adaptação ao uso da prótese.

Quatro anos depois, em 2014, conheceu o atletismo, mas enfrentou a falta de apoio e a resistência familiar até conquistar independência, aos 18 anos, quando saiu de casa para buscar seu espaço no esporte e no mercado de trabalho — enfrentando, inclusive, preconceito e demissão por conta da deficiência.

Em 2018, Hetieli passou a jogar futebol de amputados pela Associação Sorocaba para Desporto de Amputados, modalidade que, até então, tinha predominância masculina. Isso não foi impeditivo para a atleta, que passou a conquistar respeito e protagonismo.

Em 2022, voltou ao atletismo e disputou sua primeira competição, em Curitiba, experiência que reacendeu seu espírito competitivo e mudou sua trajetória. Desde então, vive do esporte. “O esporte me salvou e continua me salvando todos os dias”, resume.