Paradesporto
Meninas de seleção
Quatro atletas de Sorocaba representam o Brasil na Copa do Mundo de Futebol para Amputadas
A Associação Sorocaba Paradesporto de Amputados (Asda) teve quatro atletas da equipe na seleção brasileira que disputou a Copa do Mundo Feminina de Futebol para Amputadas, neste mês, em Barranquilla, Colômbia.
As goleiras Letícia e Jussara, a lateral Alessandra e a atacante Viviane não saíram com medalha — o Brasil terminou em nono lugar —, mas a superação, o aprendizado e a experiência valeram tão ou mais para as esportistas, sobretudo por ser a primeira convocação.
O 9 lugar foi conquistado após a seleção vencer o Haiti por 2 a 0. A Asda, em publicação nas redes sociais, frisou a marca histórica deixada e parabenizou as sorocabanas: “Efetuaram com maestria, se doando com muita garra, dedicação e amor ao representar a nossa nação e as mulheres”.
A goleira Jussara Carriel reforçou o marco esportivo de fazer parte da primeira equipe brasileira a disputar um Mundial. A atleta também comentou sobre a experiência e o legado deixados. “Esse é só o começo de um legado que deixaremos no esporte. Seguimos em frente, motivadas a crescer ainda mais e a abrir portas para futuras gerações de atletas amputadas. Com garra e coração, continuaremos lutando”, publicou em suas redes sociais.
Da mesma maneira opinou a pedagoga e integrante da Asda há um ano, Alessandra Ferraz. Ao Cruzeiro do Sul, a lateral destacou as barreiras enfrentadas, entre elas, a formação do grupo. Conforme a atleta, metade era de Sorocaba e a outra parte do time de Fortaleza.
Apesar de qualquer dificuldade, a jogadora de 43 anos abriu uma porta que não pensa em fechar tão cedo. “Como mulher e uma pessoa com deficiência foi uma porta que se abriu e que eu pretendo nunca mais fechar. Isso porque a modalidade faz toda a diferença para nós que tentamos, a todo tempo, se incluir numa sociedade não inclusiva, que exclui o deficiente o tempo todo”, reflete.
Alessandra continua: “Na nossa ida e permanência em Barranquilla, na Colômbia, mesmo não obtendo o resultado esperado, vimos que temos capacidade e podemos ir além. Temos garra, determinação e agora só precisamos trabalhar um pouco mais em equipe para obter melhores resultados”.
Além de se colocarem à prova, a troca de experiência não aconteceu apenas com as atletas da própria equipe. Adversárias de vários países ensinaram muito mais do que futebol. “Conhecemos atletas de várias nacionalidades: Quênia, Equador, Inglaterra e Polônia. Isso trouxe para nós uma gama muito grande de aprendizagem, não só na questão do idioma, mas na questão cultural também”, conclui Alessandra.