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O último adeus ao Rei Pelé

Rei do Futebol é sepultado em Santos após velório com 24 horas de duração e 230 mil pessoas na Vila Belmiro

04 de Janeiro de 2023 às 00:01
Cruzeiro do Sul [email protected]
Cortejo fúnebre passou pelas ruas da cidade sob aplausos dos fãs
Cortejo fúnebre passou pelas ruas da cidade sob aplausos dos fãs (Crédito: CAIO GUATELLI / AFP (3/1/2023))

Após velório com 24 horas de duração na Vila Belmiro e cortejo fúnebre pelas ruas da cidade de Santos, Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, foi sepultado no início da tarde de ontem (3) no Memorial Necrópole Ecumênica, cemitério situado a 900 metros do estádio do Santos. A cerimônia foi restrita a 140 pessoas, entre familiares e amigos próximos, e só aconteceu depois de um novo velório, mais curto e reservado também somente para a família, que não participou da marcha fúnebre e chegou cedo ao Memorial. A viúva Márcia Aoki foi a primeira a chegar.

Wilson Simoninha foi convidado à cerimônia de sepultamento de Pelé. Seu pai, Wilson Simonal, era grande amigo do Rei. O cantor fez, inclusive, um megashow no Maracanãzinho em tributo ao milésimo gol do jogador em 1969. “Pelé foi uma figura que fez parte da minha vida, desde a infância. Foram ótimas memórias. Representou muito e representa pra mim e para o Brasil. Viva Pelé. Pelé eterno”, exaltou o cantor.

A solenidade aconteceu sob o som do canto das araras e papagaios, já que 90% da área total de 40 mil m2 é do cemitério, na encosta do morro do Marapé, é formada por reserva nativa e preservada de Mata Atlântica. O cemitério é cercado de natureza nas áreas comuns, com pequenos lagos e aves. A ideia é que o Memorial se torne atração turística de Santos. O espaço será aberto ao público para visitas, em datas ainda definidas.

Cortejo

O caixão com o corpo de Pelé saiu do gramado da Vila Belmiro às 10h15 e foi colocado em cima do caminhão dos bombeiros às 10h19. Deixou a Vila Belmiro pelo portão 4, partindo às 10h25 para dar início ao cortejo fúnebre, que passou pelas ruas da cidade de Santos sob aplausos dos fãs. O principal destino foi o Canal 6, avenida em que a mãe do Rei Pelé, Dona Celeste, e a irmã Maria Lúcia.

Durante a celebração da missa católica no encerramento do velório ainda na Vila Belmiro, foi dito que Dona Celeste não tem plena noção da morte do filho. Em frente à casa da família, milhares de pessoas se aglomeravam para acompanhar o cortejo. Uma bandeira com os dizeres “Pelé Eterno” decorava uma das janelas da casa. Em dado momento, a irmã de Pelé, Maria Lúcia, apareceu na janela e na varanda da casa e foi muito aplaudida pelos fãs do Rei.

Dona Celeste tem 100 anos e sempre acompanhou Pelé. Entusiasta da carreira do jogador, se mostrava reticente, porém, à mudança de cidades, em especial a saída de Bauru para Santos na década de 1950.

Jogadores do tetra e do penta ignoram velório

Com exceção de Mauro Silva, atual vice-presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), jogadores tetracampeões mundiais com a seleção brasileira em 1994, e ainda os pentacampeões com o Brasil em 2002, não foram ao velório de Pelé, na Vila Belmiro. Mas cerca de 230 mil pessoas, em sua maioria fãs comuns que admiraram o ídolo dentro e fora de campo, compareceram ao estádio do Santos para o seu último adeus ao maior jogador de futebol de todos os tempos.

No Catar, onde acompanhou a Copa do Mundo, Kaká disse que os brasileiros, no geral, não valorizam os ídolos do esporte e que Ronaldo, no Brasil, era “só um gordo andando pela rua”. No entanto, nem ele nem outro ex-jogador do penta foi ao velório. Ronaldo, Romário, Neymar, Ronaldinho Gaúcho, Cafu, o técnico Tite, todos foram ausências sentidas. O ex-goleiro Marcos, titular em 2002, se justificou nas redes sociais relembrando a morte dos pais. “Ninguém aqui das redes foi (no velório deles)”, escreveu.

Por outro lado, ídolos do Santos e companheiros de Pelé, como Manoel Maria, Clodoaldo, Lima, Lalá, e Aguinaldo foram dar adeus ao amigo e se emocionaram. Narciso, Leo, Elano, Zé Roberto, Serginho Chulapa, Careca, Aranha e Marcelinho Carioca também compareceram. Entre os clubes, o São Paulo foi representado pelo presidente Julio Casares. Corinthians e Palmeiras não mandaram dirigentes.
O presidente Lula chegou ao velório às 9h de ontem (3), acompanhado pela primeira-dama, Janja Silva, e pelo Ministro dos Portos e Aeroportos Márcio França (PSB). O presidente ficou no local até o fim da celebração e saiu sem falar com a imprensa. Após isso, do lado de fora da Vila Belmiro, no início do cortejo fúnebre, um princípio de confusão foi registrado quando apoiadores do presidente levantaram coro com seu nome, e um grupo contrário que passava pelo local rebateu. O tumulto foi dispersado rapidamente. (Da Redação, com Estadão Conteúdo)