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Morre Stirling Moss, o ‘campeão sem coroa’ da F1

Segundo Jean Todt, presidente da FIA, Moss foi "uma verdadeira lenda do esporte automobilístico que permanecerá conosco para sempre"
Morreu Stirling Moss, o 'campeão sem coroa' da F1
Stirling Moss foi piloto de Fórmula 1. Crédito da foto: Fred Dufour / AFP (21/6/2009)

Detentor de 16 vitórias em Grandes Prêmios entre 1955 e 1961, sem nunca ter sido proclamado campeão mundial de Fórmula 1, o britânico Stirling Moss, o “campeão sem coroa” do automobilismo, morreu aos 90 anos. “Ele apenas fechou os olhos” após uma longa doença, declarou Susie Moss à agência britânica PA.

O presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), Jean Todt, elogiou no Twitter a memória “de uma verdadeira lenda do esporte automobilístico que permanecerá conosco para sempre”.

Eclipsado pelo argentino Juan Manuel Fangio, Moss terminou em segundo no Campeonato Mundial em quatro ocasiões (1955, 1956, 1957 e 1958) e em três outras foi terceiro, sem nunca conquistar o título, o que lhe valeu o apelido.

Morre Stirling Moss, o 'campeão sem coroa' da F1
Stirling Moss é forografado após vencer o GP de Mônaco. Crédito da foto: AFP (15/5/1961)

Em 1962, foi forçado a encerrar sua carreira como piloto após um violento acidente no circuito britânico de Goodwood, que lhe deixou um mês em coma e seis meses com paralisia. Sua carreira na Fórmula 1 foi entre o final dos dias gloriosos de Fangio e o início de Jim Clark, privando-o de mais sucessos.

Além da Fórmula 1

Mas a trajetória esportiva de Sir Stirling – ele recebeu o título honorário em 1999 – não se limitou à F1. Resistência, corridas de montanha… foram 212 vitórias em 529 corridas disputadas no total.

Moss conquistou as 24 Horas de Le Mans em 1956 pela Aston Martin e conquistou uma mítica vitória no “Mille Miglia” em 1955 com a Mercedes-Benz.

Naquele dia, junto com seu parceiro, o jornalista inglês Dennis Jenkinson, ultrapassou Fangio, o argentino também com a Mercedes, no final dos 1.600 quilômetros em cerca de 10 horas de corrida.

A imagem de seu rosto sujo com poeira e óleo e com a marca dos óculos é uma das mais icônicas do automobilismo.

Objetivo de vencer

Para Moss, a vitória era o único objetivo. “Eu sei que fui mais rápido do que outros pilotos que venceram o Mundial. Mas pilotar para terminar (corridas) e somar alguns pontos não era interessante para mim. Alguns conseguiam fazer isso, vi com frequência, mas minha filosofia era diferente. Não tinha a psicologia ideal para ganhar títulos, antes de tudo, sou um corredor”, confessou em 2009 à revista Motorsport.

Em 1958, o seu compatriota Mike Hawthorn foi coroado campeão mundial de F1 com apenas uma vitória ao longo da temporada, para quatro de Moss, mas com maior regularidade, o que lhe conferiu o título com um ponto a mais que Moss.

Com grande espírito esportivo e cavalheirismo, Moss interveio para que Hawthorn recuperasse seu segundo lugar no GP de Portugal depois de ser inicialmente desqualificado, privando-se assim do título.

Seu grave acidente em 1962 o fez mergulhar no coma por um mês. Depois de uma longa convalescença, voltou a pilotar um carro de corrida em maio de 1963 por algumas voltas na pista antes de entrar nos boxes e afirmar; “parei”. Ele havia perdido suas sensações, parte de sua acuidade visual e reflexos.

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Nos anos 1970, no entanto, participou do rally Londres-Saara-Munique, mas abandonou a competição no deserto da Argélia. No início dos anos 1980, fez uma breve incursão no Campeonato Britânico de Carros de Turismo.

Foi fiel até o fim a sua crença de que é melhor ser “um piloto que prefere perder dirigindo rápido do que outro que prefere ganhar dirigindo devagar”. (AFP)

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