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Aposentadoria

Rodrigo Capita se despede do futsal no auge

Aos 42 anos, capitão do Magnus afirma que encerra a carreira no melhor momento técnico para abrir espaço à nova geração e iniciar uma trajetória na comunicação esportiva

21 de Julho de 2026 às 17:58
Murilo Aguiar [email protected]
Atleta durante entrevista coletiva:
Atleta durante entrevista coletiva: "Parar foi uma escolha, não uma consequência" (Crédito: Lucka Cyriaco/Magnus Futsal)

Parar enquanto ainda era protagonista foi uma escolha, não uma consequência. Aos 42 anos, Rodrigo Capita afirmou que decidiu encerrar a carreira antes que o rendimento em quadra deixasse de acompanhar o nível de exigência que sempre impôs a si mesmo.

Em entrevista coletiva concedida nesta terça-feira (21), na Arena Sorocaba, o capitão do Magnus explicou os motivos que o levaram a marcar a despedida para esta sexta-feira (24) e afirmou que deixa o futsal profissional vivendo um dos melhores momentos técnicos da carreira, mas convencido de que era hora de iniciar um novo ciclo fora das quadras.

Capita revelou que a decisão começou a ser amadurecida há alguns anos. Desde os 38, segundo ele, a principal preocupação era evitar o declínio natural enfrentado pelos atletas de alto rendimento.

"Eu coloquei na minha cabeça que queria parar no auge. Queria parar vencendo. Queria parar fazendo gol. Só que é difícil parar desse jeito", afirma.

Mesmo vivendo uma temporada de destaque, o camisa 14 disse que preferiu encerrar a carreira enquanto ainda conseguia contribuir de forma decisiva para o Magnus. Segundo ele, permanecer apenas pelo desejo de alcançar marcas pessoais poderia prejudicar o planejamento do clube.

A proximidade dos mil gols na carreira chegou a ser discutida internamente. Faltando apenas 19 gols para atingir a marca simbólica, Capita admitiu que cogitou continuar, mas concluiu que o momento era de abrir espaço para a nova geração.

"Se eu estivesse 100% dedicado só ao time, talvez chegasse. Mas hoje já tenho outros projetos acontecendo. Não quero atrapalhar o Magnus", justifica.

Uma carreira construída por sonhos

Ao relembrar a trajetória, Capita resumiu a carreira como uma sequência de sonhos transformados em conquistas. Contou que começou desejando viver do esporte. Depois, sonhou em disputar a Liga Nacional, vestir a camisa da seleção brasileira, conquistar uma Copa do Mundo e, mais tarde, liderar o projeto que transformaria Sorocaba em uma das principais potências do futsal nacional.

"O sonho ia aumentando", resumiu o jogador ao recordar a passagem por Araçatuba, a chegada ao Carlos Barbosa, o título mundial com a seleção brasileira e, por fim, a transferência para o Magnus, a convite de Falcão e Felipe Drummond.

Segundo ele, a evolução do projeto sorocabano também mudou a forma como o futsal passou a se comunicar com o público. Capita atribuiu parte desse crescimento ao investimento do clube em conteúdo digital, especialmente após a série documental produzida durante a pandemia de Covid-19.

Na avaliação do capitão, o sucesso dentro das quadras legitimou a estratégia de aproximar os bastidores dos torcedores. "Quando voltaram as competições, a gente era o 'time do YouTube'. Mas a gente ganhou. Foi campeão invicto. Quando você ganha, tudo ganha força", ressalta.

Nova missão fora das quadras

Embora deixe de atuar profissionalmente, Capita garante que continuará ligado ao esporte. Nos últimos anos, passou a trabalhar como comentarista de futsal e futebol em transmissões nacionais e afirmou que pretende dedicar ainda mais tempo à comunicação.

O ex-jogador considera que esse trabalho pode contribuir para recolocar o futsal em evidência na televisão aberta e por assinatura.

"Tenho um sonho muito grande de ver o futsal voltar para a TV, voltar para a programação dos domingos de manhã. Quero continuar lutando por isso."

Segundo ele, aceitar convites para comentar competições — entre elas a Copa do Mundo de futebol — foi determinante para confirmar que era o momento de encerrar a carreira nas quadras. "O ônibus passou. Se eu não entrasse agora, talvez não tivesse outra oportunidade."

O legado na Arena

Questionado sobre como gostaria de ser lembrado pelas futuras gerações de torcedores, Capita não citou títulos nem recordes. Preferiu destacar a identificação construída ao longo de 14 temporadas defendendo o Magnus. "Quero que lembrem que fui o cara que fez o primeiro gol desta Arena."

Na sequência, afirmou que espera voltar ao ginásio daqui a alguns anos e encontrar uma galeria de troféus ainda maior do que a construída durante sua passagem pelo clube.

A despedida está prevista para esta sexta-feira, diante do Tubarão, pela Liga Nacional de Futsal. Para Capita, o único desejo é ver a Arena Sorocaba completamente lotada.

"Quem sempre veio, continue vindo. Quem veio poucas vezes, é a última oportunidade. Quem nunca veio, tem a última chance. Quem quiser estar, sabe o caminho."

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