Esporte

Goleiro sorocabano Rafael Cabral fala sobre fé e futebol

O jogador que defende hoje equipe italiana dá testemunho para 700 pessoas na Igreja Batista
O guardião da fé
Apesar de ter o dom da oratória, Rafael não gosta muito de “pregar”, mas encara os convites para falar como “um chamado”. Crédito da foto: Fábio Rogério

Futebol e fé caminham lado a lado. As demonstrações de religiosidade de torcedores, jogadores e até mesmo dos clubes, é diária. Todos já ouvimos as manifestações de “vencemos, graças a Deus!”; “se Deus quiser, iremos conquistar os três pontos”; “com fé em Deus, o meu time vai ganhar”; “é o clube da Fé”, etc.

Essa relação existe até dentro dos vestiários. As orações são comuns em todos os times antes de entrarem em campo. Mas, para alguns, a vivência com a fé é mais profunda. É o caso do goleiro Rafael Cabral, sorocabano que defende hoje a Sampdoria, da Itália. Na última quarta-feira (26) à noite, ele esteve na Igreja Batista de Sorocaba para pregar.

O jogador falou para mais de 700 pessoas na igreja. Acostumado aos estádios cheios, garantiu que é bem mais fácil jogar do que dar o seu testemunho para tanta gente. “Eu estou estudando, fiz o curso de teologia”, revelou.

Rafael relacionou a sua carreira com a religião. Citou os momentos de dificuldade na formação como atleta e nas lesões, que traçaram o caminho para se converter em evangélico. De criação católica, a transformação veio aos 19 anos, após uma fratura na tíbia e na fíbula.

“Sempre fui um cara que teve facilidade para falar. Deus me deu, digamos assim, o dom da liderança. Nos jogos eu sempre sou um dos jogadores que fala com o grupo. Comecei a estudar a Bíblia, ter mais conhecimento. Não gosto tanto de pregar, prefiro frequentar a igreja, mas quando me convidam, eu sinto como um chamado”, explicou, sobre o evento de quarta-feira

Atuando na Itália desde que deixou o Santos, em 2013, o jogador vive em um país majoritariamente católico. Os vestiários europeus são verdadeiras “torres de Babel”. Pessoas de diferentes nacionalidades, culturas e religiões. “Na Europa é muito diferente. No meu time tem gente que acredita em Deus, quem não acredita, católico, evangélico. Eles perguntam e tem curiosidade sobre a minha religião. Mas o mais importante é as pessoas verem a diferença na sua conduta.”

Vale tudo?

O guardião da fé
Jogador fez curso de teologia, mas nega querer ser pastor. Crédito da foto: Fábio Rogério

Mas o campo de futebol é visto, por muitas pessoas, como um local que foge à realidade, um terreno onde “vale tudo”. A conduta dentro de campo de alguns personagens, as vezes, pode ser diferente do que é na vida “real”.

O goleiro sorocabano deixa claro qual é o seu comportamento: “Eu acredito que para ganharmos um jogo não precisamos mentir. Não preciso dizer que foi falta quando não foi. A verdade sempre vence. Não penso muito nisso. Entro em campo pensando em jogar, mas ali a sua conduta tem de ser normal, porque é a maneira que você vive. A maneira que você é, você leva para todos os âmbitos da sua vida.”

Rafael Cabral atua como jogador profissional há 10 anos. Uma carreira construída no Santos, Napoli e Sampdoria e com passagem pela seleção brasileira. Ainda com três anos de contrato com a Sampdoria, Rafael tem uma longa carreira como atleta profissional. E garante que não está no plano atual trocar as luvas pelo microfone e a bíblia.

“Por enquanto, quero ganhar conhecimento. Se eu tiver a oportunidade, lá para frente, não dá para saber, mas não é a minha ideia me tornar um pastor”, avisa. (Zeca Cardoso)

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