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Da arquibancada à gestão, mulheres abrem caminhos no esporte

21 de Março de 2021
Marina Bufon [email protected]

Marina, Maria Helena e Rosa, as irmãs Ramalho, segurando foto de quando eram árbitras. Ao fundo, estádio Walter Ribeiro. Crédito da foto: Marina Bufon.

“Eu tinha aquele slogan ‘a menina do esporte’. A minha trajetória não é muito diferente de outras mulheres no segmento. O que eu vivi é o que, na realidade, muitas já viveram. A gente fala que é um preconceito meio velado”, iniciou Andressa Borzilo, jornalista de formação e atualmente coordenadora de marketing esportivo na Adimax, empresa que tem a Magnus como uma das suas principais marcas.

Apaixonada por esportes desde criança, precisou colocar-se nos espaços que às vezes eram negados ou esquecidos. Com o silêncio de quem chega com coragem, fez barulho para conquistar seu próprio lugar, mas garante: o trabalho é árduo e mais lento para as mulheres.

“Eu sempre estive em um ambiente muito masculino, de campo, dos bastidores, coletiva de imprensa e acompanhar treinamento, é óbvio que tinha mais homem. Ninguém nunca me falou nada, mas eu sentia no olhar. É um trabalho de formiguinha, de você estar fazendo todos os dias para provar que você está ali porque você sabe daquilo e entende, gosta daquilo também”.

Andressa passou por rádio e televisão, sempre na editoria de esportes, colhendo conhecimento e fazendo sua rede de contatos para conquistar o cargo de coordenação na empresa onde atua. Assim como no meio do jornalismo esportivo, a presença feminina é pequena, segundo ela, até pior. “Nessa parte de gestão, negócios, planejamento, somos literalmente minoria”.

Sendo uma das únicas mulheres em reuniões e eventos, seu desejo é o de fazer crescer a presença de colegas no meio, e isso vem acontecendo no decorrer dos anos em todos os ramos do esporte, de um microfone à mão, passando pela gestão, dentro de campo, até as arquibancadas.

Andressa Borzilo com o troféu da Supercopa Magnus de Futsal, disputado no início de 2021. Crédito da foto: Reprodução/redes sociais.

“Tudo que a gente faz hoje é para construir um espaço melhor a longo prazo para as outras. A menina, no caso eu, que estava acompanhando uma coletiva no Noroesteà Para eu estar ali, outra mulher esteve também fazendo isso para criar essa oportunidade e esse espaço, a ponto que a gente tem hoje na televisão comentaristas, locutoras, pouco ainda, é claro, mas alguns anos atrás não existia”.

Tira-Prosa

Para que Andressa e outras estivessem onde estão, muitas mulheres vieram antes, seja dentro ou fora dos gramados, em setores diferentes. Como o esporte envolve paixão, nada melhor do que falar com algumas das irmãs (Rosa, Maria Helena e Marina) que, em 1975, criaram a primeira torcida organizada feminina do Brasil: a Tira-Prosa, do São Bento, que perdurou por 11 anos.

“A partir disso, a gente conseguiu atrair algumas mulheres, que tinham vontade de assistir aos jogos, porém não se sentiam bem por serem poucas e ninguém ter a disposição para ouvir os xingamentos que a gente ouvia. Uma dava força para outra”, relatou Maria Helena.

Com mil histórias para contar, uma delas a escolha de Marina entre um antigo namorado e o clube (já é possível imaginar quem venceu a disputa), elas fizeram história no cenário nacional, mesmo sem ter noção, naquela época, do que estavam fazendo por elas e outras mulheres.

As irmãs, que ainda se tornaram árbitras para mostrar “que entendiam mesmo”, estão no Museu do Futebol reconhecidas como pioneiras (além das três, Maria José e Paula também foram fundadoras da torcida) e continuam até hoje no dia a dia do clube. Rosa, por exemplo, é, além de torcedora, funcionária da parte administrativa.

“A gente terminava os jogos com dor no braço de levantar as bandeiras, mas não tinha problema, a gente encarava tudo. Quebramos barreiras. O futebol ficou democrático mesmo. Você gosta de futebol? Seja bem-vindo, todos e todas”, finalizou Rosa.

Conquistas femininas

Elenco do Magnus Taboão, uma das conquistas de Andressa Borzilo como coordenadora. Crédito da foto: Reprodução/redes sociais.

Andressa Borzilo também comemora pessoalmente um grande passo. Quando entrou no cargo de coordenação, logo percebeu que faltava algo que a representasse e, em conjunto com a empresa, apresentou um projeto de futsal feminino, o Taboão Magnus, que ganha uma projeção interessante também por conta de sua vertente masculina, já consolidada.

“Para mim é uma conquista muito importante. Como mulher, quando eu entrei, sentia que eu precisaria trazer algo de representatividade de gênero. O futsal não é só masculino. Gestão, coordenação, comissão, jogadoras, é quase 100% feminino”. (Marina Bufon)