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Comitê Paralímpico: ‘é melhor ter Jogos sem público do que não ter nada’

Os Jogos Paralímpicos estão previstos para 24 de agosto a 5 de setembro
Cresce oposição às Olimpíadas. Crédito da foto: AFP

O presidente do Comitê Paralímpico Internacional (CIP), o brasileiro Andrew Parsons, disse estar “muito otimista” com a realização dos Jogos de Tóquio, previstos para 2020, mas que serão realizados este ano por conta da pandemia do coronavírus, e afirmou em entrevista à AFP que é melhor realizar a competição sem a presença de público do que cancelá-la.

Como a pandemia continua a se alastrar em todo o mundo, o comitê organizador Tóquio-2020 não descarta a possibilidade de realizar o evento diante de um pequeno público, ou mesmo a portas fechadas.

Mas para Andrew Parsons, esse sacrifício seria aceitável se o evento puder atrair um grande público. “Os Jogos Paralímpicos são uma oportunidade de mudar o mundo”, declarou o dirigente, a pouco mais de 200 dias do início previsto para a competição.

“Entendemos que os Jogos não serão os mesmos sem o público, mas seu impacto é muito forte e vai além da cidade e do país organizador”, avaliou o brasileiro.

Os Jogos Paralímpicos não dizem respeito “apenas aos dois milhões de pessoas” que acompanham pessoalmente as provas, mas também “aos quatro bilhões de pessoas que as assistem em todo o mundo”. A experiência seria diferente, mas “ter as Paralimpíadas, mesmo sem público ou apenas com espectadores japoneses, é melhor do que não ter nada”, afirmou.

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Otimismo com os dois eventos

Apesar da profunda preocupação com a possibilidade de os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos serem disputados com segurança, Parsons estava “muito otimista”, descartando também a ideia de que apenas um dos eventos ocorreria.

“Não é viável para o CIP, mas é claro que vamos cooperar estreitamente com as autoridades japonesas, o comitê organizador e o COI. E todos concordamos” em dizer que não há como realizar os Jogos Olímpicos sem Jogos Paraolímpicos. “Ambos acontecerão”, insistiu.

O dirigente brasileiro ecoa um otimismo presente nas declarações desta terça-feira do presidente do comitê organizador em relação à evolução da crise sanitária: os Jogos acontecerão “aconteça o que acontecer”, disse Yoshiro Mori.

As Olimpíadas de Tóquio estão programadas para 23 de julho a 8 de agosto, e os Jogos Paralímpicos de 24 de agosto a 5 de setembro.

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Andrew Parsons reconheceu que certos atletas podem ficar “insatisfeitos” com o processo de classificação, por conta da pandemia. Apenas 57% dos atletas garantiram vaga para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, e as eliminatórias devem ser retomadas até março.

“Certamente alguns ficarão frustrados com o processo de classificação”, admitiu Parsons, garantindo que o CIP trabalha com federações esportivas em diferentes cenários. “Mas não podemos fazer nada. Temos que proteger as pessoas”, o que significa “não podemos obrigá-las a participar das classificações se isso as colocar em perigo”, destacou.

“Muitos obstáculos”

As vacinas não serão obrigatórias para a participação nos Jogos, lembrou Parsons, o que incentiva os atletas a receberem esse “nível adicional de proteção”, que se soma às medidas de saúde que os organizadores devem anunciar detalhadamente esta semana.

Parsons admite que o CIP e o COI, trabalhando em conjunto na questão das vacinas, enfrentam “muitos obstáculos” para encontrar uma solução justa. “Cada uma de nossas ações deve beneficiar todos os nossos membros, todos os nossos atletas” e “não só este ou aquele país”. “É uma dificuldade, temos que ser justos com todas as nações”, lembrou.

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O objetivo é “oferecer a melhor proteção possível” a cada um, quando alguns atletas paralímpicos apresentam sistemas imunológicos frágeis que os tornam mais vulneráveis à covid-19.

Afirmando estar animado pela realização  no mundo de diversos eventos esportivos desde o início da pandemia, o presidente do CIP acredita que os Jogos poderão acontecer com segurança.

Os atletas estão determinados a participar, seja qual for o número de pessoas nas arquibancadas, destacou o dirigente brasileiro. “Queremos que eles tenham a oportunidade de participar”, concluiu. (Andrew Mckirdy/AFP)

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