Esporte Sorocaba e Região

Atletas sorocabanos conquistam medalhas no Mundial de Jiu-Jitsu

Plínio, Jonathan e Yuri, da Guego Team, se destacaram na competição sem quimono
Jonathan Dias, Yuri Vieira e Plínio Leme com suas medalhas, ao lado do preparador físico Gutto Oliveira. Crédito da foto: Fábio Rogério.

Parece história de filme, mas é realidade que o esporte pode mudar vidas. Pelo menos mudou as histórias de Plínio Augusto Leme, de 32 anos, Jonathan Ricardo Dias, de 23, e Yuri Rafael Viera, de 20. Os três são lutadores de jiu-jitsu há anos e, no último final de semana, trouxeram mais medalhas para a cidade de Sorocaba e para a Guego Team.

Nos dias 20 e 21 de fevereiro, os atletas se juntaram a mais de dois mil lutadores em Araçariguama, no interior de São Paulo, para a disputa do Campeonato Mundial de Jiu-Jitsu sem Quimono. Enquanto Leme e Dias pleitearam a segunda e terceira colocações em suas categorias, o prodígio Vieira recebeu a medalha de ouro na categoria até 82 quilos na faixa azul.

“Fiz quatro lutas duríssimas, como eles. Consegui impor meu ritmo, mas se não fossem meus professores, não teria tido esse resultado, fora o incentivo deles. É outra energia”, disse o tricampeão mundial (dois com quimono e um sem quimono).

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Segundo os lutadores, todos os protocolos de segurança contra a Covid-19 foram seguidos rigidamente e nenhum atleta ficou de fora dos testes, assim como nenhum testou positivo. Leme afirmou, aliás, que a competição foi mudada de lugar e data por diversas vezes por conta da pandemia.

Mudança de rumo, terra à vista

Sobre o esporte mudar a vida das pessoas, os três confirmam que sim. Vestindo máscaras, mas com os olhos e o amor ao jiu-jitsu à vista, os atletas são de regiões humildes de Sorocaba e encontraram na modalidade uma nova maneira de existir, por meio de projetos sociais no passado.

“Comecei a treinar em 2013 em outro local. Fui visitando todas as filiais da Guego e, dentre elas, encontrei o Plínio. Antes do jiu-jitsu, tinha problemas com drogas, tive que fazer tratamento. O esporte foi uma ferramenta para eu poder tomar um rumo positivo na vida. Eu andava mais de duas horas para treinar e deu tudo certo. Eles são meus exemplos e mudaram meu caráter. Por causa deles conquistei muitos títulos”, disse Jonathan.

Yuri também se beneficiou. “Quando eu comecei, tinha depressão muito forte. Não conseguia conversar, nem com a minha mãe. O jiu-jitsu me ajudou de um jeito que não consigo explicar. Nunca mais senti o que sentia antes do esporte”.

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Yuri, de 20 anos, livrou-se da depressão após iniciar no esporte. Crédito da foto: Fábio Rogério.

“Eles tiveram as vidas transformadas pelo nosso projeto social, o Instituto J2, tanto o Jonathan, que já é professor hoje, se formou em Educação Física, quanto Yuri, que vem na mesma linha. Eu também tive um início complicado, lá em 2009. É uma ferramenta de inclusão social”, afirmou Plínio Leme.

Ele é professor de Jonathan e Yuri na Academia da equipe Guego, que possui atualmente uma sede própria na Avenida Ipanema, na zona norte da cidade. Com a ajuda do preparador físico Gutto Oliveira, uma equipe médica e outros profissionais, os lutadores vão em busca de novas conquistas, ainda que o calendário oficial não esteja totalmente definido por conta da pandemia.

Dificuldades para remar

Apesar do amor ao jiu-jitsu, os três atletas precisam de ajuda para investir não só nas competições, mas também para as preparações. Plínio Leme, por exemplo, treina duas vezes por semana em outra academia em São Paulo. Há, ainda, gastos com inscrições, viagens, alimentação, entre outros.

“Lá fora os lutadores de jiu-jitsu são quase celebridades, mas aqui infelizmente temos essa dificuldade com o esporte, principalmente na questão de patrocínio para podermos continuar com nossas carreiras. O Instituto J2 está em processo final para pleitear recursos, de verbas públicas e também privadas. Precisamos disso”, finalizou o professor. (Marina Bufon)

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