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Atletas da Série B se unem contra atrasos salariais

Atletas da Série B se unem contra atrasos salariais
Nem mesmo a campeã Chapecoense conseguiu manter em dia as suas contas. Crédito da foto: Márcio Cunha / ACF (30/1/2021)

A reta final da Série B do Campeonato Brasileiro não ficou marcada apenas pelo título da Chapecoense conquistado com um gol no último minuto e pelos acessos de América-MG, Juventude e Cuiabá. Cansados de lidar com salários atrasados e outras pendências financeiras, jogadores do próprio time campeão e de Avaí, Cruzeiro e Ponte Preta decidiram nas últimas semanas fazer algo não tão comum no futebol nacional: protestar diante dos problemas. Os cruzeirenses optaram por não se concentrar antes de um jogo, enquanto que os atletas das outras três equipes cruzaram os braços e não treinaram por um dia.

A situação mais grave é a do Cruzeiro, que, atolado em dívidas, não conseguiu o acesso e vai ficar mais um ano na segunda divisão. Nos bastidores, os jogadores fizeram um protesto contra os atrasos salariais e a falta de perspectiva do pagamento dos vencimentos pela diretoria do clube e não se concentraram na Toca da Raposa para a partida contra o Oeste, vencida pela equipe do interior paulista por 1 a 0.

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No dia seguinte ao compromisso, a diretoria se reuniu com os atletas e respondeu a alguns questionamentos, sem, no entanto, dar, naquele momento, uma previsão do pagamento dos atrasados. O presidente Sérgio Santos Rodrigues reconheceu os erros da direção e afirmou, na ocasião, que o diálogo com os jogadores não estava adequado. Segundo ele, parte dos atrasados foi quitada. O ambiente conturbado levou o técnico Luiz Felipe Scolari a deixar o clube. Felipe Conceição foi contratado para o lugar do pentacampeão e terá, na próxima temporada, a missão de conduzir o time celeste de volta à elite do futebol brasileiro.

Já os atletas de Avaí, Chapecoense e Ponte Preta ficaram sem participar de um treinamento para mostrar aos dirigentes o descontentamento deles com as pendências. Os protestos foram liderados, em todos os casos, pelos mais experientes dos elencos. A postura assertiva reforçou que eles estão mais atentos aos seus direitos.

Nem mesmo a campeã Chapecoense, apontada como exemplo de gestão antes de ser rebaixada em 2019, conseguiu manter em dia as suas contas. No entanto, após pressão do elenco, a diretoria pagou parte dos salários em atraso no fim de janeiro. Foi acertado o débito referente a dezembro (CLT). Ainda restam, porém, algumas pendências, como direitos de imagem.

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O Avaí, por sua vez, explicou que “o clube tem ativos para receber, mas o que vem atrapalhando é a remessa destes valores e isso tem sido comunicado a todos os colaboradores, inclusive aos atletas”. Também assegurou que “tem agido de forma transparente, informando a todo instante o andamento destes esforços para cumprir os compromissos”. A equipe chegou a brigar pelo acesso, mas terminou em nono lugar. (Ricardo Magatti – Estadão Conteúdo)

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