Economia

Tecnologia é aliada na revenda de produtos por meio de catálogos

Mulheres são 56,7% dos empreendedores no setor, divulga a Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas
A professora Elisabete Delfino Germano comercializa produtos por catálogos há 27 anos. Crédito da Foto: Fábio Rogério / JCS

Ancorada no relacionamento pessoal e na comodidade, a revenda de produtos por catálogos persiste como uma popular modalidade de compras e, ao invés de desaparecer com as inovações tecnológicas, se adapta aos tempos. Esse tipo de comércio é chamado de venda direta, e inclui também a venda porta a porta, on-line ou em eventos (quando o vendedor reúne grupos para demonstrações). No ano passado, o setor de vendas diretas movimentou R$ 45,2 bilhões no País e chegou a envolver mais de 4,1 milhões de empreendedores independentes. Os dados são da Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD).

O Brasil já ocupa a 6ª posição global e a 2ª nas Américas na modalidade. A chave para o sucesso no país está no perfil do brasileiro, que gosta de formar laços de confiança com o vendedor. “Para o brasileiro, o relacionamento ainda é muito importante”, explica Adriana Colloca, presidente da ABEVD. Outro ponto está na comodidade de escolher os produtos e recebê-los em casa, o que torna os itens mais acessíveis para quem mora em regiões pouco atendidas pelo varejo. A maior parte ainda é de mulheres, que representam 56,7% dos empreendedores e 64,3% citam a venda direta como uma fonte complementar de renda.

A professora Elisabete Delfino Germano, 53 anos, atua com a venda por catálogos há aproximadamente 27 anos em Sorocaba. Atualmente ela vende cosméticos, roupas, lingeries e utensílios domésticos, trabalhando com várias marcas. Elisabete relata que costuma utilizar os ganhos para comprar produtos de beleza e vestuário para uso próprio, não sendo, portanto, uma atividade essencial ao seu sustento. Com clientes de anos, conta que grande parte das vendas é feita entre os colegas de trabalho. “Vendo mais na escola, tenho também algumas pessoas fora”, conta. A pesquisa da ABEVD mostra entre os potenciais clientes dos revendedores, os colegas de trabalho são 51,2%. Familiares (66,9%) e amigos (79%) também compõem a clientela dos vendedores.

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Evolução

A presidente da ABEVD explica que o setor passa por mudanças, sendo que a inovação tecnológica é um dos desafios. Muitos vendedores já utilizam redes sociais e Whatsapp para divulgar os produtos. Algumas empresas também lançam plataformas on-line para os consultores. E o próprio perfil do vendedor também está mudando. Com a chegada de marcas que focam em suplementos alimentares e tecnologia, mais jovens buscam a venda direta como uma forma de empreender, passando a ser cada vez mais a renda única e atraindo um perfil diversificado de gênero.

Para as empresas, a venda direta ainda é um importante segmento. Com a visão de que o relacionamento pessoal não deixa de ter seu mercado, as marcas equipam os consultores com recursos tecnológicos. O VP de Vendas da Tupperware Brasil, Rodrigo Senday, explica a importância da modalidade para a empresa. “É a forma que entendemos que faz a mágica do negócio, no relacionamento com o consumidor, na demonstração, na confiança e nas experiências que realizamos”, diz. O desejo é, no entanto, de ampliar a atuação digital. “Não existe a intenção de mudar o modelo de vendas que fez da Tupperware um sinônimo da categoria no mundo, mas com certeza atuar no ambiente on-line por meio dos nossos consultores faz todo sentido e é algo que já faz parte da nossa realidade. Inclusive, muitos de nossos consultores já têm uma atuação 100% on-line”, conta.

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A Natura tem 1,1 milhão de consultoras em todo o país. Segundo o vice-presidente de Venda Direta da Natura, Erasmo Toledo, 650 mil já usam a plataforma digital de relacionamento com a marca. “Acreditamos que a venda direta se mantém extremamente atual, por se tratar de uma rede social em sua essência”, diz. “O que estamos fazendo é investir para integrar totalmente esse modelo ao mundo digital, com o uso de redes sociais e aplicativos, por exemplo”, explica.

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