Economia

Setembro tem criação de 313 mil empregos

Foi o terceiro mês consecutivo de recuperação do mercado de trabalho, com destaque para a indústria
Setembro tem criação de 313 mil empregos
O setor industrial gerou 110,8 mil vagas, seguido por serviços, com 80 mil. Crédito da foto: Aldo V. Silva / Arquivo JCS (26/2/2014)

Com a retomada da atividade em todos os setores da economia, o mercado de trabalho recuperou em três meses quase a metade dos empregos perdidos no auge da pandemia de Covid-19.

Entre março e junho, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) acumulou 1,595 milhão de demissões a mais do que de contratações. Já entre julho e setembro, de acordo com dados divulgados ontem pelo Ministério da Economia, 697.296 novos postos formais (com registro em carteira) foram abertos — o que corresponde a uma reconstituição de 43,73%.

Só em setembro, foram 313.564 novas vagas, no terceiro resultado positivo consecutivo. O setor industrial liderou no mês, com 110,8 mil vagas formais. No geral, o acumulado do ano até setembro saldo ainda é negativo em 558.597 vagas, o pior desempenho desde 2016.

Para o ministro da Economia, Paulo Guedes, esse seria um sinal de retomada em “V” da economia — quando a recuperação é tão forte quanto a queda. “Esse foi o melhor ritmo de criação de emprego para qualquer mês de setembro da história. Todos os setores da economia e todas as regiões do Brasil criaram novos empregos. Isso configura o fenômeno da volta em ‘V’ da economia”, disse ele.

O desempenho positivo em setembro veio melhor até do que o teto das expectativas dos analistas de mercado ouvidos pelo Broadcast/Estadão, que esperavam uma abertura entre 140 mil e 301,5 mil vagas.

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“Não só estamos criando empregos há três meses seguidos, mas em ritmo crescente. Mais de 100 mil em julho, mais de 200 mil em agosto e mais de 300 mil em setembro”, completou Guedes.

Já o economista da Guide Investimentos, Homero Guizzo, acredita que a tendência é de desaceleração do Caged, que deve ser “mais notável” no começo do ano que vem. “A economia, em geral, vai levar um bom tempo para voltar ao nível de pré-pandemia e as empresas só contratam quando precisam aumentar a capacidade instalada e este é um processo caro”, comentou o economista. “No ano que vem, muita gente em home office volta ao trabalho presencial, o que, por si só, já deve aumentar a produtividade. O empresário vai pensar mil vezes antes de contratar.”

O resultado de setembro foi impulsionado pelo desempenho da indústria geral — mais de um terço do saldo positivo no mês. Já os serviços recuperaram 80.481 vagas no mês passado, enquanto houve um saldo positivo de 69.239 contratações no comércio. Setembro registrou ainda abertura líquida de 45.249 empregos formais na construção civil e de 7.751 vagas na agropecuária. (Eduardo Rodrigues e Fabrício de Castro – Estadão Conteúdo)

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