Economia

Retomada do emprego é lenta, conforme Ipea

Retomada do emprego é lenta, conforme Ipea
Depois de julho, 1,5 milhão de vagas foram criadas no País. Crédito da foto: Marcello Casal Jr. / Arquivo Agência Brasil

Após atingir o fundo do poço em termos de demissões em julho, o mercado de trabalho brasileiro gerou 1,5 milhão de vagas em agosto e setembro, apenas de 10,3% a 11,3% do total de vagas perdidas por causa da recessão provocada pela Covid-19, dependendo da metodologia utilizada para fazer a conta, conforme estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O trabalho doméstico e o emprego no setor de serviços, com destaque para a atividade de alojamento e alimentação, foram os mais atingidos.

Embora a retomada da economia no terceiro trimestre tenha sido até mais forte do que inicialmente estimado por economistas, o movimento não se traduziu em abertura generalizada de vagas no mercado de trabalho, mas, principalmente, no aumento de horas trabalhadas por quem não perdeu a ocupação, disse o pesquisador Marcos Hecksher, autor do estudo. Ou seja, menos pessoas estão trabalhando mais, enquanto falta trabalho para milhões.

Para fazer as contas, o pesquisador usou dados da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-C) e da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios Covid (Pnad Covid), do IBGE. As informações da Pnad-C são sempre por trimestre móvel, mas, no estudo do Ipea, foram mensalizadas e encadeadas com a Pnad Covid, que é mensal — pesquisadores do IBGE, geralmente, alertam que as pesquisas não são comparáveis.

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Quando se considera a Pnad-C, o total de postos de trabalho fechados na crise fica em 14,1 milhões de fevereiro a julho. Quando se junta as informações da Pnad-C com a Pnad Covid, o total de empregos destruídos de fevereiro a julho é de 12,8 milhões. Para Hecksher, independentemente da metodologia, a destruição de postos de trabalho é histórica. “É a maior queda histórica (da ocupação), uma coisa sem precedentes, que só começou a se recuperar”, afirmou o pesquisador.

“O mercado de trabalho se recuperar depois já era esperado. Agora, no Brasil, essa demora na recuperação de empregos pode ser maior porque aqui o risco sanitário é maior”, afirmou Hecksher, numa referência ao avanço da pandemia no País, quando se compara com outras nações. (Estadão Conteúdo)

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