Economia

Refriso volta a operar sem pagar demitidos

Mesmo com a inscrição estadual cassada desde novembro de 2017, a empresa Refriso, fabricante dos refrigerantes Vedete em Sorocaba, voltou a operar no mesmo local com outro Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). A denúncia foi feita por ex-funcionários, demitidos em maio deste ano e que ainda aguardam para receber os valores da rescisão.

A Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo informou que a Refriso segue com a inscrição estadual cassada por inadimplência fraudulenta e também suspendeu preventivamente a inscrição estadual desta nova empresa aberta com outro CNPJ. “O Processo Administrativo de Cassação (PAC) foi encerrado, não cabendo mais nenhum recurso administrativo”, informou a pasta.

A Secretaria da Fazenda, por meio de nota afirmou que “está apurando a regularidade de uma empresa recém-aberta com endereço de atividade apontando para o mesmo local da Refriso Refrigerantes, para tanto, a inscrição estadual foi suspensa preventivamente até que a análise da diligência realizada pela fiscalização seja concluída”. Poderá ainda ser solicitada, segundo a secretaria, a comprovação da capacidade de funcionamento do novo contribuinte, por meio de documentos como capital social e capacidade econômica dos sócios.

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Na fábrica localizada no bairro Barcelona, zona leste, é possível ver a movimentação, com trabalhadores em empilhadeiras carregando fardos de refrigerante. Na sexta-feira passada, a equipe de reportagem do Cruzeiro do Sul esteve no local, mas na portaria foi informada que os diretores estavam em reunião e não podiam atender.

Movimentação dentro da empresa era normal na sexta-feira - FÁBIO ROGÉRIOMovimentação dentro da empresa era normal na sexta-feira – FÁBIO ROGÉRIO

A Refriso também foi procurada, por meio de assessoria de imprensa, e em nota informou que “busca incessantemente todas as alternativas possíveis para retomar suas atividades normais e voltar a gerar os importantes empregos para a sociedade sorocabana”.

A empresa negou irregularidade, mas não esclareceu como retomou as atividades mesmo com a inscrição estadual cassada. “Todas as nossas ações são tomadas à luz das leis brasileiras e em consonância e concordância dos órgãos públicos. A empresa jamais se furtou as suas responsabilidades, fiscais, trabalhistas ou a quaisquer outras obrigações, e manterá firme nesta conduta e em sua integridade”, de acordo com a Refriso.

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Revolta 

Ex-funcionários que denunciaram a reabertura da empresa contaram que a Refriso recontratou algumas pessoas que foram demitidas após a cassação da inscrição estadual. “Entraram em contato comigo me chamando de volta e propondo pagar a rescisão em dez vezes. Não aceitei”, disse um rapaz que trabalhou por três anos na fábrica e foi dispensado em maio. Ele, que pediu para não ser identificado, relatou que quando foi demitido recebeu R$ 1.200 referente ao salário de janeiro e uma parcela do 13º salário de 2017.

Outra funcionária que foi dispensada em junho, após voltar de uma licença, contou que não recebeu nada e que em contato com o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins de Sorocaba e Região, foi informada que as verbas rescisórias, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e salários atrasados serão cobrados na Justiça do Trabalho.

“É um desrespeito com a quem trabalhou lá por tantos anos. Vamos ter que esperar até dez anos para receber o que é nosso por direito e eles reabrem a empresa como se nada tivesse acontecido”, reclama a jovem, que também pediu que seu nome fique em sigilo por medo de represálias.

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O sindicato que representa a categoria foi procurado diversas vezes por telefone na sexta-feira e também ontem, de manhã e à tarde, mas as ligações não foram atendidas.

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